Globalizêitchons

E aí? Tá pensando que nós sete te abandonamos? De certa forma sim. Mas tente nos entender: estudamos numa escola em que nós fazemos mais de 750 exercícios só de matemática por ano – to falando sério -, em que temos 3 provas por dia (fora as aulas e possíveis provas à tarde), sem contar os trabalhos de cada matéria que são “passados com 15 dias de antecedência, tempo suficiente para a execução e entrega” de tais chatices escolares, como diz o corpo docente. Detalhe: eles passam milhões de trabalhos “pra 15 dias”, mas nós temos a sorte de termos que apresentá-los todos na mesma semana. De certa forma, eles tão certos: foram 15 dias de prazo. ¬¬’. Sem falar que já no final da 1ª unidade, estamos totalmente mortos de cansados de estudar e passar praticamente todos os dias indo à tarde ao colégio pra ter mais aula – isso quando não ficamos direto nele, tendo que almoçar deliciosas bombas calóricas com gergelim e bebida gaseficada sabor cola. Com tantos afazeres, sobra-nos pouco tempo para o blog, para o PW, para o baba, enfim, para a nossa vida normal.

Isso não é uma reclamação (claro que é). Nós, queridos aluninhos, sabemos que são males necessários e que é essa maratona escolar que faz de nosso colégio um dos melhores da região, mesmo sendo público. Antes que você pense que eu sou um aluno bagunceiro revoltado da vida, já digo logo: não to aqui pra reclamar disso. Agora, vamos ao que interessa.

Estava eu voltando exausto da igreja, em mais um cansativo dia de minha vida, quando passando em frente ao Cambuí (quero dinheiro por isso, viu?) avisto um sujeito deitado num papelão, com os pés sobre um banquinho na maior folga. Até aí, nada demais…

AHA! Peraí! Detalhe que me chamou a atenção: o cara portava um celular, com o qual conversava não sei com quem, em toda a altura. Não entendeu onde eu quero chegar? Prestatenção: um mendigo, todo maltrapido, num clima mais ou menos frio, deitado num papelão com os pés num banco, como se estivesse no sofá de casa com uma TV de LCD 49″ em sua frente e um Home Theater em volta de si, falando num celular. Não acha isso meio esquisito? Você nunca assistiu a uma aula de Geografia? Pois é. São os efeitos da grandiosa GLOBALIZAÇÃO!Globalização

Já tá todo mundo cansado de saber que é o “acesso a informações, produtos, serviços e pessoas através dos meios de transporte e comunicação”. É comprar um sapato feito com matéria prima Russa, pela mão-de-obra Chinesa, transportado pelos Estados Unidos, vendido pelo Paraguai, transportado novamente, só que agora por brasileiros até a 25 de Março, onde você compra pela internet e manda entregar no Acre (caso ele exista). Tal processo, apesar de facilitar a vida de uns, piora a de outros, como no caso do caro indivíduo citado nesse post.

Mas o que me chamou a atenção não foi a pobreza dele, mas sim o telemóvel. Não deu pra ver qual era, tava muito longe, mas era um celular. Isso mostra que a tecnologia está presente onde menos se espera e que, guardando-se as devidas proporções, está “acessível” a todos, inclusive a quem não tem nem o que comer. Isso mostra também a futilidade e vaidade das pessoas: o cara tem malmente o que comer, mas tem um celular! Não é incrível?

Pense bem: se o estômago dele começar a roer e ele for acometido por uma úlcera mortal causada pela má alimentação, ele tem em suas mãos um celular para ligar 192 assim que precisar! É mesmo impressionível.

Você se acha inteligente? Aí vai uma pergunta: como ele carrega o celular? E créditos? Onde ele arranja? Questões a se pensar.

by Higor Ernandes™

4 comentários sobre “Globalizêitchons

  1. Pingback: Segunda-Feira | Mega Blogs

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