Pump it jam, to the pump it up!

Na vida da maioria dos garotos normais que se preocupam em obter uma forma física mais aceitável do que aquela bola de tecido adiposo ou aquela pele seca grudada diretamente aos ossos, chega o grande momento de dar um certo valor ao seu corpo, a fim de tormar-se mais atraente para as menininhas, mais imponente para os pivetes, ou simplesmente explodir seu ego até o monte Everest na frente do espelho admirando seus pequenos músculos pré-formados. Ainda não sacou do que eu to falando? Falo a vós da Academia.

Por ter sido assaltado duas vezes – quase três – , e por olhar-me no espelho e ver o tamanho desproporcional da minha cabeça em relação ao resto do corpo, resolvi então a uns três meses entrar na academia. É, isso mesmo. Pense aí, um garotinho cabeçudo, seco e meio-nerd entrando na academia. Pausa pra rirem de mim.

Pros meus miguxos do colégio, isso não é mais novidade, mas a tempos eu queria descrever o local e as figuras que nele aparecem. Isso vai ser interessante, hehe.

O primeiro dia foi uma comédia. Fui no início da tarde com minha mãe fazer minha inscrição. A moça falou que a carteirinha ficava pronta logo e que se eu quisesse começar a malhar enquanto o instrutor não chegava do almoço, estava a vontade. “Já?“, indaguei comigo mesmo.

Não quis ir na hora. Voltei pra casa, imaginando como seria tunar meus músculos, etc. Tendo chegado a hora, voltei para a academia. Entrei, dei boa tarde à moça e fui em direção ao instrutor que ela havia me apontado.

O cara devia ter uns 100kg, mas comparado a mim, devia ter uns 500kg. Me perguntou se eu já tinha malhado na vida, e me mandou ficar vinte minutos na bicicleta ergométrica. Sentei na bike, pah, tirando onda. No primeiro minuto, pensei comigo mesmo: “Ah isso é mais fácil do que andar de bicicleta.” Ri-me.

Com 1 minuto e 30 segundos, senti a contração das pernas, e já começava a suar ofegante.

Cinco minutos depois, já estava à beira de um infarto. Minhas pernas estavam tão fracas quanto as de um garoto somaliano. A partir daí, elas meio que se acostumaram com o ritmo e seguiram tranquilas. Em frente ao lugar onde ficam as bicicletas, havia várias janelas grandes de madeira e vidro que mostravam o brilho no Sol, que era de certa forma incômodo mas ao mesmo tempo reconfortante. Notei acima das janelas a foto do Arnold Schwarzenegger, com seu nome embaixo. Com certeza, aquela foto era de quando ele não era governador da Califórnia. Devia ser de seus tempos de Exterminador do Futuro ou Connan. Exibia seus músculos junto com um olhar cativante de “Polishop, novas idéias facilitam sua vida!”. E percebi também o quão difícil é o nome do sujeito. Nunca tinha reparado que tinha tantas consoantes. Sempre achei no meu pequeno conhecimento que se escrevia no máximo “Chuasneger”, “Chuasnegger”, algo do tipo.

Tendo completado os vinte minutos, desci da bicicleta. Pisar no chão nunca foi tão ruim. Sério, eu perdi TODO o equilíbrio nas pernas. Parecia uma mulher grávida andando. Acho que até uma teria mais controle do que eu. Fui beber água, estava exausto.

Voltando, sem tirar medidas de braço, pernas, peito, nada, e sem perguntas, o instrutor mandou que eu fizesse um exercício que só dois meses mais tarde eu descobri que era para as costas. Também fiz outros exercícios interessantes, os quais não me lembro mais, e os quais me deixaram com uma distensão em cada braço por uma semana, as pernas fracas e peito e costas doloridos. Ouvi vários “isso é normal”, tanto de colegas, quanto do próprio instrutor.

Peguei minha carteirinha – que finalmente ficou pronta ao custo de CINCO REAIS por um pedaço de papel onde estava escrito com caneta o meu nome, data de vencimento e categoria, dentro dum pedaço de plástico – e saí do recinto. Olhei meu nome e embaixo estava escrito “Musculação”. Naquela hora, senti-me como o Superman.

Eu poderia parar o texto por aqui, e ficaria bom. Tenho certeza que daria um bom conto, mas ainda tem muito mais coisas interessantes a se falar.

Com o passar do tempo, me acostumei com o ambiente, mesmo sendo o cara mais fraco do lugar. Mais fraco que eu, só as poucas mulheres que malham lá. Várias mudanças ocorreram, dentre elas, o instrutor e a mocinha da recepção. Passei a fazer um treinamento mais acompanhado, e passei a saber que músculo eu estava malhando. Fiz amizades, e descobri que isso não é possível somente quando se está jogando Perfect World. Brincadeira.

E, eu não poderia deixar de citar as mais diversas personalidades que se encontra em um lugar como esse. Tem gente de todo tipo. Os fisiculturistas, as mocinhas que querem malhar seus glúteos pra mostrá-los aos marmanjos nos shows na Ilha, as mulheres velhas – que são mais fortes do que eu por sinal – que só resolveram tomar jeito depois que não tinha mais jeito, os gordinhos, os playboys, os gente-fina, os excluídos, e os novatos fraquinhos, grupo em que me incluo. Apesar de ser um pobre mortal em comparação aos seres monstruosos em tamanho que lá existem, todos respeitam-se mutuamente.

Os fisiculturistas – que na verdade não são fisiculturistas, mas receberam esse nome de mim só pra ajudar a identificar – são verdadeiros monstros. Eu, juntando todas as minhas forças e chegando à máxima exaustão, consigo levantar uma barra com incríveis DEZ QUILOS. Eles levantam trinta, quarenta. Só. De cada lado.

Eles pegam duas vezes mais peso do que eu somente pra AQUECER o músculo. O pesado mesmo, vem depois. Massa, né?

Agora imaginaí: eu, um pivete de 15 anos, quase 16, 1.75m, com incríveis 29 cm de braço, no meio dessa tropa. Pausa pra rirem de mim denovo.

Mesmo tendo tais adversidades, acostumei-me com o ambiente. É boa a sensação que se tem ao sair de lá, com os braços inchados de sangue pelo esforço, e ter a impressão de que se está mais forte. É claro, não tem absolutamente nada de diferente, mas só essa sensação já vale. Olha eu aí malhando:

Hehe, adorei essa imagem.

Também não posso deixar de citar as músicas da academia. Você deve estar aí pensando que “são todas iguais, que é tudo a mesma bosta”, mas não é não. Geralmente as músicas de academia, são como a abaixo by Sr. Marcelo Adnet e Sr. Kiabbo, como já postei em outro post.

Contudo, o Sr. Adnet também explica as diferenças entre os mais diversos tipos de música eletrônica.

Viu? Basicamente as músicas de academia são desse tipo, menos na minha academia, que após a morte do seu Jackson, as clássicas músicas eletrônicas foram substituídas por obras como, Beat It, Thriller, Black or White. Agora, eu vos pergunto: quem, em sã consciência, bota pra tocar MICHAEL JACKSON numa ACADEMIA? Sério, o ambiente fica parecendo uma lanchonete ou restaurante, não o que ele realmente é. Mas tem o lado bom: em uma semana eu conheci toda a discografia dele sem precisar abrir o Ares.

Enfim, mesmo em alguns dias dando muita preguiça, lá estou eu, cuidando do meu corpitcho. E recomendo isso pra você, seu nerd. Largue o traseiro dessa cadeira e vá fazer exercícios!

by Higor Ernandes

3 comentários sobre “Pump it jam, to the pump it up!

  1. Preocupe-se mais com o nível da torneira, seu tanquinho não levara ninguém ao orgasmo, pode ser que sua torneira também não, mas é mais provável :D

    HAEUEHUEHUE

    bj

    Curtir

  2. Pingback: Cidade nova, calourice e academia « Class Jokers

Digaê

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s