Tempos de menino (nem tão) bonzinho

As pessoas costumam ter boas lembranças da infância, costumama lembrar das amizades que tiveram, dos lugares que visitaram, eu lembro das brincadeiras.

Pelo fato de eu sempre morar a mais de 6 kilômetros da escola, eu nunca pertenci de verdade a uma turminha de amigos da escola. Pra falar a verdade, dentro da escola eu era deslocado, eu tinha amigos mesmo na rua da casa da minha vó. Mas não eram amigos quaisquer, eram amigos ômis. E todo mundo sabe como é brincadeira de ômi, daí, você deve imaginar como era a minha infância: um ser magricelamente esquelético brincando igual ômi. Mas eu adorava. Acho que o fato de eu ser o cara que sou hoje, que escreve pra todo mundo ler que fez uma cirurgia na antamonia interna íntima, talvez deva-se à alguma pancada que eu tenha levado, ou a um pouco de sangue que invadiu meu cérebro e me fez desse jeito.

Minha mãe (que é pedagoga) talvez traduziria essas brincadeiras como uma vontade de provas e testar seus limites físicos com outros semelhantes, eu traduzo isso como psicose.

Então, como eu não tenho nada melhor pra fazer, e me deu essa idéia agora, decidi listar aqui para vocês como ocorriam tais brincadeiras, em virtude de você, nerd como é, nunca ter visto o sol nem a rua de sua casa.

Atenção: As palavras a seguir demonstram violência explícita, então, se você for um velhinho, ou uma criança catarrenta, ou um não-seguidor de Chuck Norris não leia, caso contrário, sinta-se a vontade.

  1. Pular sela: Essa brincadeira é malvada pelo reflexo da malevolência das ações dos meninhos que passaram a infância ao meu lado. De início era apenas uma brincadeira onde o objetivo era pular as pessoas que ficavam em uma posição reclinada, mas a mente maligna das crianças a deturpou, criando maneiras sádicas e cruéis de machucar a pobre selinha. A sela pode ser pulada das formas mais inimagináveis possíveis, desde o clássico bife com batata; onde antes do salto aplica-se um tapa estupidamente forte (bife) e um soco igualmente brutal (batata) nas costas da sela; passando pelo gavião; onde ao pular cravam-se as garras e unhas nas costas da sela (preferidos por meninas) ; até o insano futebol, onde antes do salto dá-se um pontapé fenomenal, digno de gol na final da copa do mundo, na pobre e indefesa sela. Também é conhecida como pular carniça, estrela-novo-toco, e por aí vai.
  2. Purrinha: Essa é uma das mais clássicas. Envolve uma penca de meninos insanos, uma bola de futebol (que para a brincadeira ser mais cruel é molhada e passada na areia antes) e muita maldade no coração. Para começar, joga-se a bola no chão, e algum menino vem e chuta-a em outro menino, que se for acertado, tem que correr até bater em um lugar previamente escolhido. O detalhe mais sórdido da brincadeira é que enquanto o menino não encostar, qualquer forma de violência é permitida contra ele, desde socos, pontapés até cadeiradas, se houver uma cadeira disponível. E se o lugar marcado for cercado por meninos sedentos de sangue…. Que Nimb tenha piedade da alma dele…
  3. Palitinho: É semelhante à purrinha, e consiste em fazer um montinho de areia/terra/barro/excremento de pássaros e fincar um palito em cima. Então, seguindo uma ordem, um malévolo menino tirava um pouco de terra do monte, seguido por outro garotinho sem alma, até que um infeliz derrubasse o palitinho, aí valia a mesma regra que vale na purrinha. E que Nimb ainda tenha piedade de sua pobre alma…
  4. Baleado: A minha favorita. Essa brincadeira eu mesmo deturpei, era um tradicional jogo de baleado (que você deve conhecer como queimada, e é semelhante ao esporte dodgeball), onde dois times tinham que queimar os jogadores do outro time com uma bola de vôlei. Mas isso pra mim era sem graça, eu queria mais, eu queria sangue no zóio. Então tive a brilhante idéia de colocar uma bolinha de tênis no meio da história. Faça um teste, pegue uma bolinha de tênis e jogue-a para cima, e em seguida deixe-a cair em suas costas; agora some o impacto à sede de sanguede um menino que acabara de tomar uma bronca dos pais, e estava brincando para descontar essa raiva. Esse era eu.
  5. Garrafão: Não sei se vocês conhecem essa brincadeira, mas lá em casa a simples menção dessa palavra era uma ameaça de expulsão. Era a brincadeira mais conhecidas (pelos adultos) dentre essas que eu citei. consistia em desenhar uma garrafa no chão (obviamente de proporções maiores), eleger um pega, e crrer apenas pisando na linha do garrafão. Quando alguém é pego, ocorre o velho procedimento de correr atrás pra dar um pontapé/soco/voadora/tesoura de pescoço, até que o infeliz chegue ao local previamente combinado.
  6. Elefante colorido: outra brincadeira que eutratei de deturpar, antes era apenas uma brincadeira de meninas onde voce jogava uma bola de mão em mão falando e-le-fan-te co-lo-ri-do, ai alguem falava uma cor e as outras moças tinham que pegar na cor, quem pegasse por ultimo ia saindo até que ficasse uma moça-mor que ganhava. Mas como vocês já devem ter visto eu não sou assim, e nem tenho tanto amor no coração. Quando eu brincava, repetia a bola passando de mão em mão, repetia o elefante colorido, mas quem ficasse com a bola no final deveria joga-la na cara do primeiro infeliz que conseguisse, de forma a causar o maior dano que ele pudesse, e o infeliz que tomou a bolada, por sua vez, deveria pegar a bola e jogar na cara de outro mais infeliz ainda, e assim sucessivamente. Quem tomasse 3 boladas saia da brincadeira, e quem ficasse por último era o maioral e ganharia fama e reconhecimento por toda a rua, até que outra pessoa ganhasse.

É lógico que com um bando de meninos se juntando para brincar, até um simples pega-pega virava uma verdadeira guerra de samurais sem espadas (ou com espadas dependendo do quão insanos sejam os meninos), mas essas que citei são as que mais me fazem feliz ao lembrar. Vale lembrar às crianças que nada do que eu escrevi ali deve ser feito em casa, você precisa de uma turma de loucos psicóticos, que não caberia na sua casa, por isso, vá apra a rua ou para algum terreno baldio por aí.

E é assim, termino por aqui mais um artigo sobre algo que realmente não é útil, nem vai mudar o mundo, mas provavelmten fará com que os meninos de hoje se desbitolem de seus PC’s com violência virtual para a violência real. Afinal, se alguém nunca teve um hematoma, como vai saber o que é um?

Até lá, que Nimb role bons dados para você!

P.S.: Um agradecimento especial ao Pingú, por ter refrescado um pouco da minha memória.

18 comentários sobre “Tempos de menino (nem tão) bonzinho

  1. Pingú, pra kem nao teve infancia..: Pingú! meupaunoseucu! ;D ;p
    hahaha…

    vejo muito ódio e sangue rolando por aki.. *-*
    entao meus caros.. ;]
    isso eu chamo de infancia! ;D
    kem nunk brincou de todas essas brincadeiras formadoras de jovens sedentos por sangue e ódio ? ;)
    a melhor e mais inocente nao foi citada.. ;]
    o pique-esconde… kem diria nao ?! logo esta a mais violenta citada por mim !?
    sim meus caros.. esta eh a pior.. qnd se mora em cidade q depende de turismo, as construçoes de condominios e casas e casas e condominis prontos viram “acampamentos” de guerra.. ;D
    pois pra kem eh esperto e sabe o faz subi em telhados eh muito facil.. e joga pedra nos otros dos telhados eh mais legal ainda.. *-*
    ;D

    isso msm.. a melhor de todas eh joga pedra nos otros dos telhados sem ser visto em meio a brincadeira pike-esconde.. ;D
    ;p

    eu gostei desse caralho de post.. fiko do cacete.. ;D
    ;p

    infelizmente soh vo pode zua as mula q escrevem aki depois q escreverem.. ;S
    tem muita anta q escreve merda pra vcs.. eu gosto de zua elas *-*
    ;D

    ;**

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  2. tinha uma que eu brincava quando ia visitar meus avos… era mais ou menos um pega-pega, mas antes de começar a correr o “pegador” tinha que esfergar um olho de boi no chao ate ficar vermelho igual uma brasa… depois era so correr atras de um infeliz e encostar o olho de boi nele… em alguns casos saía ate a pele grudada na semente…
    de acordo com minha experiencia a melhor forma de brincar é nao avisar pra ninguem que voce é o pegador, não avise pros outros que eles estao brincando e esquente a semente escondido…

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  3. Infelizmente toda a nossa cultura outrora glorificada
    já não existe mais.

    Tenho dó da geração internet.

    OBs: Faltou o tradicional e já bem focado “Hoje Não”(O nome depende de sazonalidades), mais consiste em criar um pacto com um amigo do peito,
    que permite dar-lhe um golpe qualquer caso esse amigo não grite “HOJE NÂO!”
    sempre no primeiro encontro do dia.

    Eu tinha tanto sócios de “Hoje não” que minha percepção foi desenvolvida à níveis extremos.(Quase um byakugan natural)

    abrss @Alcain

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  4. Poxa faltou a vingança da sela, (eu mesmo fazia pra me vingar rsrsrs), quando o infeliz ia pula a sela se abaixa com tudo fazendo o infeliz perder o ponto de apoio e meter a cara no chão

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  5. cara a melhor era policia e ladrão
    desde armas compradas no 1,99 q atiravam aquelas bolinhas coloridas ate canos com bexigas na ponta atirando milho
    onde na ausencia de armas eram os punhos
    essa sem duvida era a melhor

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  6. Aqui na minha cidade Pula-Sela é conhecido por Pula-mula.
    Bons tempos. O que era bom era a Mãe da rua! Só porrada!
    E essa que o rapaz falou do Olho de boi foi clássica!
    Morei numa descida boa e nós pegavamos uma “maderite” em alguma construção e colocavamos sobre um skate e decia a rua com 6 molekes em cima sem freio! legal d+!
    Pena que meu filho não poderá fazer isso!
    Bom texto!

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  7. Tiro pouca dessas brincadeiras que eu conhecia. Aliá, salvo só baleado – a versão não-ditorcida, é claro – de resto as outras não fizeram parte da minha infância.
    Mas na minha época de “brincadeiras de rua” eu lembro mais de pega-bandeira, pau-no-litro ou esconde-esconde, que por terem meninas no meio não tinham um percentual de violência considerável. Mas adedonha (ou adedanha, nunca sei qual é a certa) é unânime nesse quesito, todo mundo insiste em ‘graduar’ uma simples sardinha.

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  8. Pingback: Presentes proibidos para crianças « Class Jokers

  9. Pingback: Se livrando da culpa « Class Jokers

  10. aqui eu ja coloquei uma bola de cimento no chão de uma rua cobri com um pano pra fica igual uma bola de vdd e mandava o primeiro infeliz que passase chutar :P

    obs: aprendi isso na net

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