Historinha

Bem, era pra postar a história antes do FJ, mas, como Higor é uma pessoa apressada, eu tive de esperar, porque senão ele ia ter um colapso histérico e nervoso.

Enfim, vamos à historinha, já que a ordem está instaurada e não há ameaças de Nimb tomar o controle do blog.

Como sabem (ou não), moro em Porto seguro da Bahia (e segundo a CVC, “terra do axé, cachaça e pu****a”), lugarejo pacato e monótono no meio do ano, mas que se assemelha com Woodstock na temporada de verão (é gente viu meu povo…). E coisa que você, nerd anti-social (desculpem o pleonasmo) não sabe é que Porto Seguro tem alguns distritos, um deles é Arraial D’ajuda. Toda minha família por parte de mamãe mora lá e, sempre que posso, visito minha vovó e titia.

O que ocorre é que em um feriado, Arraial agrega gente suficiente para competir com o verão. É o feriado de Nossa Senhora D’ajuda (a santa que dá nome ao distrito, ô retardado), quando centenas de romeiros lotam a cidade para uma celebração de muita fé e orações (nossa, pareci até o narrador da Globo falando do CD do Pe. Fábio de Melo). E junto com a festa de nossa senhora D’ajuda vem também um fenômeno comercial que por aqui é conhecido pela alcunha de “feirinha”. Olha, nunca fui à São Paulo, mas pelo que meu velho falou, se assemelha muito à Av. 25 de Março. Trata-se nada mais de um amontoado de barracas de lona vendendo coisas de originalidade duvidosa (ou você já viu vender perfumes d’O Boticário em caixinhas de isopor, semelhantes à que se compra queijo?).

Porém, a feirinha também tem seus momentos festivos. À noite, funciona um parquinho móvel, lanchonetes e bares (também erguidos em lona e também com alimentos de origem duvidosa) que tocam música – péssima, diga-se de passagem – e as pessoas, nativas e romeiras, reúnem-se para ter momentos de diversão.

Eis que eu vou, junto à minha família, para o parquinho levar minha irmãzinha e meu priminho para ter momentos de diversão. E depois dirigimo-nos a um dessas lanchonetes. Aí começou a parte boa.

Sendo eu um ser do sexo masculino, solteiro, e a uns bons meses sem sair (por motivos que eu deixo para explicar em outro post), eu tinha que tentar alguma coisa para acabar com essa seca que estava se abatendo sobre meus braços, mas eu escolhi o pior lugar para tentar fazer isso. Sério, nunca tinha visto tanta mulher feia junta num lugar só, algumas eram dignas de pena. Eu acho que os programas de TV que fazem extensos tratamentos de beleza para que alguém se sinta mais bonito poderiam ser bem mais barato, para isso bastava uma pouca maquiagem e levar esse alguém até a essa “feirinha”, até eu me senti mais bonito lá, mesmo com essa cara de suricate constipada que tradicionalmente carrego comigo. Acho que computei em minha cabeça 3 possíveis candidatas à cantada. Porém, com mais uma olhadinha para o lado, duas delas foram riscadas, visto que elas vinham acompanhadas de perigosos e grandes animais de estimação – também conhecidos como namorados – que possivelmente poderiam me causar danos físicos caso eu continuasse a observar as candidatas, então, desisti de acabar com minha seca ali naquele lugar.

Findo minha tentativa de acabar com minha seca voltei-me aos meus afazeres tradicionais, que são não deixar ninguém em paz, e perturbar à tudo e à todos. É quando ocorre um dos fenômenos que salvou a minha noite, chega um bêbado e pede, pede não, quase exige, que me primo dê um pouco de seu guaraná para ele. Meu primo, como tem a mentalidade de uma ameba em coma, dá o guaraná ao bêbado, que sai cambaleando e some por alguns instantes. Depois volta pedindo refrigerante a um senhor sentadona mesa ao lado. Mas eis que ocorre uma situação inesperada, a dona da barraca, uma senhora de uns 50 anos, um metro e meio, e muita coragem enxota o bêbados à gritos, os quais conseguimos entender pouca coisa, dentre elas podemos citar:

-Sai daqui!

-Satanás!

-Filadumap****

E o bêbado sai, receando levar um golpe direto de cadeira nas pobres e magras costas que carregava consigo se continuasse a nos importunar. Mas o ainda corajoso bêbado retorna para me pedir um pouco de guaraná, mas a valente tiazinha dona da barraca, como se diz por aqui, “enraba” (que quer dizer corre atrás) o bêbado por uns 15 metros. O mais incrível é que o antes cambaleante e desnorteado bêbado, agora parecia capaz até de andar na corda bamba, se isso significasse se salvar da fúria da tiazinha da barraca. E eu, como não sou nenhuma entidade santa, rio descaradamente na cara do bêbado, contando com a sorte de que ele não achasse que eu estava rindo da cara dele viesse tirar alguma satisfação comigo.

Isso por si só já salvaria minha noite e me daria um post completo para colocar no blog, mas a o Gran Finale ainda estava reservado para o fim (ó, não diga!). Meu primo; que não é bem meu primo, é primo da minha mãe, mas minha mãe tem cara de tia dele, então eu sou primo dele e pronto; veio a se juntar conosco para podermos conversar e colocar toda a fofoca em dia, falar sobre nossas delicadas cirurgias (ele fez uma igual à minha, mas se ferrou porque o corte dele foi mais em cima que o meu). Eis que em certa altura da conversa passa uma mulher exótica, e cumprimenta-o no meio de um gole de cerveja, nunca tinha visto uma pessoa engasgar da maneira com que ele engasgou, num misto de risada, constrangimento e vontade de enterrar a cabeça no chão. Não houve quem não risse na mesa, não sei de por causa do engasgo ou se por causa da mulher que cumprimentou meu primo. A mulher devia ter 1 metro e 40 de altura, mais magra que eu, com cara de quem tinha puxado um baseado a menos de 20 minutos tamanha era a vermelhidão de seus olhos, trajava uma camiseta branca que era até bonita, levava um CD no sutiã (sim, um cd no sutiã) e tinha cara de acidente de moto com caminhão. Então ela começou a dizer que conhecia meu primo desde as fraldas, e que ele se tornaria um grande médico (detalhe é que ele faz faculdade de FISIOTERAPIA) e começou a bater palmas. Depois disse de novo que conhecia meu primo desde as fraldas, e que ele se tornaria um grande médico, e tornou a bater palmas. Após isso, não teve viv’alma naquela mesa que não caísse na gargalhada, e lógico que a minha era a mais exagerada, então a mulher me cutucou e disse que era sério e olhou para meu primo, que estava rindo descaradamente também. Então ela parou de sorrir e disse a ele: “você ta com vergonha de mim.”. Nessa hora eu não agüentei e deitei no colo da minha avó para rir, e meu primo tentando ficar sério, sem muito sucesso. Ela repetiu o que disse e todos negamos, com intuito dever onde aquilo terminaria. Ela, acreditando no que dissemos, tornou a repetir que conhecia meu primo desde as fraldas, e que ele se tornaria um grande médico, e depois tornou a bater palmas, dessa vez acompanhada por todos da mesa. Então ela se despediu e deu dois passos para trás, quando ouviu nossas gargalhadas na mesa, e voltou a dizer que meu primo tava com vergonha dela, mas na hora, conseguimos todos parar de rir e negar tudo, e a mulher foi embora, depois de repetir mais uma vez que conhecia meu primo desde as fraldas, e que ele se tornaria um grande médico, desta vez sem bater palmas.

Sim, foi uma das melhores noites da minha vida em muito tempo, desde certo ocorrido em minha casa, que deixarei para contar outro dia, em outro post (pelo teor do causo, só quando acabar o trabalho do blog…).

Até lá, que Nimb role bons dados para você!

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