Trip to Texas City

Lar doce lar. Nada melhor do que sua casa. Algo muito intrigante: quando estamos nela, queremos sair; quando não estamos nela, queremos estar. Ou não. Enfim, as vezes é bom olhar para outras coisas que não sejam pixels, visitar outros lugares em que não haja meias e roupas espalhadas, em que não haja vizinhos incomodando com seus respectivos aparelhos sonoros exalando sons que ecoam pelo ouvido até o cérebro, causando dor de cabeça, como os grandes sucessos da Banda Dejavú ou Calcinha Preta. Lugares em que a comida não é feita por sua mãe, e em que você come outras coisas além do costumeiro feijão com arroz e algum tipo de carne.

Resumindo: viajei para Teixeira de Freitas. Abaixo o mapa com a localização, by Wikipedia:

teixeira

Razão? Minha querida irmã construiu sua casa própria e, cê sabe como é pobre né? Qualquer pequena conquista e chama todo o resto da família de pobres pra ver. Não que isso seja ruim. Muito pelo contrário. Enquanto neguin esbanja dinheiro, trocando de mansão de quinze em quinze dias sem valorizar seu patrimônio, nós, bons pobres que somos, valorizamos cada mínima coisinha adquirida. Afinal, nós – na verdade eles – suamos para conseguir, e não pegamos de quem quase não tem nada. Sim, isso é uma crítica aos políticos. Aff, que papo moralista.

Poisé, fomos lá visitar minha irmã, conhecer sua nova casa, cheirar novos ares, passear, ter um pouco de diversão. E eu, como não tenho assunto pra escrever post sei que você se importa com isso, resolvi contar minha divertida viagenzinha. Não ache que vai encontrar grandes histórias nesse texto. Mas só o fato de nada de ruim ter acontecido, já é uma grande dádiva, um bom motivo para se comemorar.

Deixando de enrolação, aí vai a minha agenda:

10:00 – acordar.
10:30 – levantar da cama.
11:00 – tomar café e jogar Playstation 2 com meu sobrinho.
12:30 ~ 13:00 – almoço.
13:30 ~ 18:30 – jogar Playstation 2.
19:00 – sair pra comer.
22:00 – computador/PS2.
23:00/0:00 – dormir.

Como você pode perceber, fiz muita coisa útil, mostrei-me realmente um rapaz ocupado. Basicamente, foi isso que fiz nesses quatro dias.

No sábado porém, saí com minha mãe, irmã e sobrinho pra ir comprar umas roupitchas, uma vez que uso umas mil camisas por semana, em função da igreja, pra onde vou praticamente todo dia.

Para minhã mãe, dizer “vamos comprar roupas pra Higor” é o mesmo que dizer “vamos andando até a câmara de gás”. Diz ela que é porque “eu demoro muito para escolher minhas roupas”. Não vejo assim. É só que eu escolho bem pra depois não encher o saco de ninguém caso a roupa esteja manchada, rasgada, queimada, desintegrada, ou com qualquer tipo de dano. E tem também o fator Lei de Murphy, que parece sempre entrar em ação quando o assunto é comprar roupas pra mim. Sério, quando eu acho uma camisa bonita, ou é cara demais, ou tá com defeito, ou não tem do meu tamanho. Daí vem aquela velha perguntinha cheia de esperança:

Não tem tamanho ‘M’?

Como sempre, pra a minha sorte, não tem. Aí, o sonho de ter a camisa mais massa que você pode ter, pelo menor preço possível, vai por água abaixo só porque você tem massa demais ou de menos. Dá raiva. Muito tenso.

As vezes fico pensando se isso é marcação, se os diretores das marcas de camisetas reúnem-se numa cúpula contra mim, dizendo “não vamos fazer roupas tamanho M pro Higor, muahauhauhauha”, ou “então, vamos fazer camisetas bonitas, super estilosas, mas todas tamanho P ou GG, HAHAHAHAHA”. É sacanagem.

Mas, como diz meu pai, Sacanagem é uma vaca subir num coqueiro de tamanco. Então me conformo, busco outras opções e termindo encontrando.

Tendo comprado minhas queridas camisetas – que por sinal são muito bonitas, inveje-me – usei uma delas logo à noite, quando saímos (pobre é fogo, né?). Fomos comer a tão tradicional especiaria Teixeiradefreitense, Carne do Sol na Telha, ou A Telha, como apelidamo-na carinhosamente.

É algo muito simples: Carne do sol, feita de picanha ou alcatra, cebola, farofa de feijão tropeiro, vinagrete, batatas fritas. Claro que, com a incrível diferença de que você não come num prato, e sim numa TELHA. Ah é, eu já disse isso lá em cima.

É isso mesmo, você e toda a sua família de gordos comilões dividem uma telha  com um tradicional churrasco entre todo mundo, compartilhando fraternidade, alegria, diversão, germes bucais, entre outros. Fico eu imaginando como inventaram isso. Algum comerciante, possivelmente cansado de  usar tradicionais pratos para servir sua comida, resolveu inventar um método talvez menos trabalhoso, menos desgastante e mais barato, afinal você não precisa comprar pratos, e nem lavá-los. E, como Isaac Newton, fez sucesso com coisa inútil.

Na íntegra, fotos da famosa Telha:

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Mesmo assim, a comida é boa, e, mesmo que não fosse, já dizia algum pensador desconhecido, “o prazer dos banquetes não está nos pratos, mas nas pessoas que compõem a mesa”. Chore de emoção.

No lugar, havia muita gente. Por ser uma cidade que não é na beira da praia, muita gente procura diversões alternativas. Em Teixeira, a principal – quase que única – é a Praça da Bíblia, lugar onde ficam as barracas que vendem as Telhas, crepes – aliás, foi a primeira vez que comi um e, cá entre nós, não gostei -, churros, pizzas e todo o tipo de iguaria que te faria parecer o Tim Maia ou o Jô Soares. Espero que existam muitas academias naquela cidade, ou muitos hospitais/funerárias.

Como eu disse antes, joguei muito Playstation 2 com meu sobrinho. Alternava entre PES 2008, 2009, os Need For Speed™ Most Wanted, Carbon e Underground 2. Foi a primeira vez que joguei o Carbon. Eu sonhei que estava num cânion, aí o Lamborghini Gallardo chegava perto de mim. Eu perguntava “Lamborghini, é você?”, e ele dizia “Calma, tá tudo bem agora.“. Mentira.

Enfim, gostei da jogabilidade, e vi que ele é um Most Wanted com drift. É mais real também, no que diz respeito à velocidade, porque em relação às perseguições policiais, ninguém supera o Most Wanted. Enquanto neste você está a 190km/h e tem a sensação de estar a 80km/h, no Carbon, quando você está a 100km/h, você tem a sensação de estar a 100km/h. Ainda não sei bem se isso é uma vantagem, considerando que no primeiro eu chegava a 390km/h, algo que era prazeroso de se ver. Verei esses detalhes quando pegar o jogo emprestado com alguém.

Basicamente foi isso que fiz, meus anjos. Fui, me diverti com momentos familiares, voltei e “Tá tudo bem agora”. Agora, de volta à realidade. See ya, queridinhos.

—–

Perdido no vazio dos espaços, preso em meus pensamentos, vagando pela imensidão pixelizada que tomava a fronte de minhas vistas, estava eu fazendo alguma coisa na minha máquina anti-ócio chamada computador. Percebi uma estranha agitação na região do corpo cuja função é dar caminho a um movimento involuntário de captura da massa invisível que paira, ora incauta, ora silenciosa como o espaço, pela área externa de nossas peles, acariciando-nos a cada momento de nossas vidas, exceto quando substituímo-na por ela mesma, porém com um acréscimo de hidrogênio, denomidada Ar.

Os pequenos fios, assim como a pele interna agitavam-se num frenezi, em contato com substâncias externas ao sistema. O que causara tal agitação? Um ser microscópico? Uma possível reorganização dos tecidos ou dos átomos da localidade? Ou talvez uma própria resposta do corpo a um estímulo indefinido? Não se sabe ao certo. Ninguém sabe. Ainda assim, era incômodo, irrelevante, medíocre, mas incômodo. E algo precisava ser feito.

Movi minhas mãos com destreza, com a certeza de onde ela pararia. Ela se aproximava para averiguar o que acontecia de errado, porém do ponto de vista tátil, uma vez que meus olhos não alcançavam a região. A cada centímetro, uma nova emoção, uma descoberta, um suspiro.

Alguns milissegundos e… lá estava ela. Minha mão cutucando meu nariz. A agonia cessara e a calmaria pairava por sobre o ambiente.

Ssaê; a pedido do Sr. AgaGê via twitter, aí está, “A cutucada no nariz”, provando que eu sou capaz de fazer uma mínima coisa ficar interessante – ou extremamente mais chata.

2 comentários sobre “Trip to Texas City

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Digaê

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