O direito ao palavrão

Aviso: Post com conteúdo impróprio para criancinhas catarrentas. Se você for uma dessas, sai daqui, xô! E vai contar pra sua mãe que eu sou um blogueiro malvadão.

Caso você não esteja nem um pouco interessado em saber porque este texto está aqui vá desta para a outra linha)

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Para quem não sabe, o blog no começo era apenas um trabalho de escola (que por sinal foi o melhor trabalho que eu já fiz na minha vida), a gente tinha que escrever constantemente e no final da unidade tinha que apresentar um trabalho mais bem elaborado.

Foi assim até ontem. Ontem nossa querida professora de português nos disse que a avaliação da terceira unidade não seria mais nosso estimado blog. Tá, e isso muda alguma coisa? Oh yeah baby, muda sim…

Quem já ouviu-me proferindo qualquer quantidade de palavras juntas superior a 3, deve ter percebido que pode-se caracterizar o AgaGê como “boca-suja”. Mas em contrapartida, quem vê eu escrevendo aqui no blog percebe também que eu quase não me utilizo de expressões chulas escrevendo. Isso se deve a um acordo entre nós componentes porque, se tratando de um trabalho escolar, deveríamos tratá-lo como tal.

Mas, como vocês devem ter percebido – ou não caso você confirme as minhas suspeitas e seja um ser bineironiado – o trabalho acabou, e com ele toda essa limitação.

Ou seja: This shit gonna be Spartaaaaaaaaaaa!!

Então, nada melhor para começar essa nova fase do que falando sobre tais palavras chulas. Com vocês: O direito ao palavrão.

Não, não vou começar ainda não. antes preciso dizer de que inferno de lugar eu tirei esse texto.

Já reparou que muitos autores, da casta de Paulo coelho, que vendem livros única e exclusivamente por ter seu nomezinho lá? As pessoas hoje em dia comprar livros mais associado ao seu autor do que ao conteúdo que ele realmente pode conter. Então, pensando nisso, alguns autores decidiram por um tempo escrever seus textos sem assina-los, única e exclusivamente para provarem que são so bons, e tirarem onda com todos os seus amiguinhos escritores, chamando eles de bobos e bocós.

Esse texto deve ter sido feito na mesma época que a crônica do amor, que, por auxílio do nosso amigo-owneador-de-Higor geminilibre, pudemos sabê-lo e informarmo-nos.

Pelo seu estilo de escrita comumente o associam ao Millôr Fernandes.

Agora sim, depois de mais de 300 palavras de pura enrolação, aqui está: O direito ao palavrão.

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Os palavrões não nascem por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua.

“Pra caralho”, por exemplo. qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que “pra caralho”? “Pra caralho” tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A via láctea tem estrelas pra caralho, o sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?

No gênero do “pra caralho”, mas, no caso, a expressando a mais absoluta negação, está o famoso “nem fodendo!”. O “não, não e não!” e o nada eficaz e o já sem nenhuma credibilidade  “Não, absolutamente não!” de modo algum o substituem. O “nem fodendo” é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera com a consciência tranquila, para outras atividades de maior interesse na sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência, solte logo um definitivo “Marquinhos, presta atenção, filho querido: NEM FODENDO”. O impertinente se manca e na hora vai pro shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do lupicínio.

Por sua vez, o “porra nenhuma!” atendeu tão plenamente as situações  em que nosso ego exigia não só a fegfinição de uma negação mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totamente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um “é Ph. D. porra nenhuma”,ou “ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!”. O “porra nenhuma”, como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a a tardia e justa denúncia pública de um canalha.

São dessa mesma gênese os clássicos “aspone” (aspirante a porra nenhuma), “chepone” (chefe de porra nenhuma), “repone” (representante de porra nenhuma” e o mais recente “prepone” – presidente de porra nenhuma.

Há vários outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um “puta-que-pariu!”, ou seu correlato “puta-que-o-pariu!”, pronunciado assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba… diante de uma notícia irritante qualquer um “puta-que-o-pariu!” dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônioso tem o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar oum merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.

E o que dizer de nosso famoso “vai tomar no cu!”? E sua maravilhosa  e reforçadora derivação “Vai tomar no olho do seu cu!”. Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do insuportável, se dirife ao canalha de seu interlocutor e solta: “Chega! Vai tomar no olho do seu cu!”. Pronto, você retomou as redeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na face olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor íntimo nos lábios.

E seria tremendamente injusto não reqgistrar aqui a expressão de maior definição do português vulgar: “Fodeu!”  e sua derivação mais avassaladora ainda: “Fodeu de vez!”. Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere em seu interior todo um providencial contexto interior de alerta e autodefesa.

Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de hbilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar. O que você fala? “Fodeu de vez!” Sem contar que o nível de strss de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de “foda-se!” que ela fala. Existe algo mais libertário  do que o conceito do “foda-se!”? O “foda-se!” aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta. “Não quer sair comigo? então foda-se!”, “Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? então foda-se!”.

O direito ao “foda-se!” deveria estar assegurado na Constituição Federal. Liberdade:

parada

Where's wally?

Igualdade:

Fraternidade:

E Foda-se!

E que Nimb role boons dados para você!

4 comentários sobre “O direito ao palavrão

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