E tenha um feliz Ano Novo.

Três, dois, um, e feliz ano novo!

Uma das características mais impressionantes dos seres humanos, a meu ver, é sua capacidade de adaptação. Só que essa capacidade, como todas as coisas nesse período de tempo passageiro que passamos nesse lugar oval chamado vida,  possui seu lado bom e seu lado ruim.

O lado bom é que ela permitiu a sobrevivência em quase todas as partes do globo, desde as mais quentes até as mais frias, desde as mais altas até as mais baixas. Permitiu que pessoas peregrinassem por 40 anos num deserto, e permitiu que pessoas fixassem moradas onde a terra firme é feita de água sólida, e onde não se pode respirar muito fundo, a não ser que se queira congelar os pulmões.

Tal capacidade de adaptação – e de acomodação – também fez ao longo da história, com que o homem se tornasse uma máquina de produção, sendo criado desde seu nascimento para servir de mão-de-obra, especializada ou não (no caso do sistema capitalista. No comunista/socialista, é ainda pior. Mentira; não sei como funciona lá).

Esta é, porém, uma análise a gosso-modo de como os governos e a sociedade em si cria as pessoas. Há claro, os que tomam rumos diferentes dos aparentemente pré-estabelecidos, encaixando-se no sistema de formas diferentes ou simplesmente não se encaixando e, por opção ou não (como é na maioria das vezes), marginalizando-se e vivendo dos que se encaixaram.

Tá, eu sei que esse texto está parecendo uma redação de vestibular. Mas tudo isso é só para exemplificar a forma viseira-de-burroizada que vivemos.

Há períodos em nossas vidas porém, em que esquecemos, seja por vontade própria, ou seja por pressão, ou simplesmente porque esquecemos mesmo, de nossas obrigações para com o mercado capitalista, e percebemos a importância de se comemorar um natal em família, de ter momentos com os amigos, de fazer em poucas situações do ano coisas que deveríamos fazer sempre: sermos felizes.

Nós porém, passamos tanto tempo trabalhando/estudando para enriquecer terceiros, que esquecemos de servir a nós mesmos, de cuidar de nós mesmos, de reservar tempo para estar com quem gostamos.

Natal e Reveillon são datas em que paramos para repensar nossos valores e refletir sobre o que fizemos no ano que se vai e sobre o que faremos no ano seguinte. Será que essa reflexão não faz parte da alienação social a qual somos expostos? Será que não é mais uma “chance” de renovar nossos objetivos consumistas e pensar em novas dívidas a serem contraídas e pagas?

O que eu vejo em fins de ano é que as pessoas apenas “renovam seus contratos”, e não realmente vêem que tudo o que fazem é servir de máquina consumista/produtora. Ou seja, elas não vivem para si mesmas, mas para quem os paga.

E quando chegar-lhes a idade avançada, tempo em que se tornam improdutivos e única etapa da vida em que podem usufruir dela, estão velhos demais e sem energia para gastar consigo mesmos.

Talvez eu diga isso por não ter contas a pagar, por não ter ninguém que dependa de mim para sobreviver além de meu computador que precisa ser ligado de tempos em tempos para que não pegue poeira e se desintegre. Talvez eu diga isso por ser um desocupado nerd, e talvez eu mude de idéia, algo que eu duvide muito que aconteça, uma vez que desde já, prezo por viver e não por servir de ferramenta, do ponto de vista humano e capitalista da coisa.

Um grande pensador chamado Dandan uma vez disse algo que consegui decifrar em meio a tantos palavrões: “Se eu estudar tanto nessa <vetado> pra pegar meu diploma e quando for atravessar a rua morrer, vo explodir essa <vetado>…”. Isso nos faz pensar bem em tudo o que fazemos. Tudo isso pelo que trabalhamos, vai mesmo valer a pena? Tente pensar, caso haja cérebro no interior de seu crânio.

Com isto, termino minha mensagenzinha de fim de ano, tentando te fazer largar o seu emprego e virar hippie pensar sobre todos esses “valores” de nossa querida e afável sociedade.

Feliz Natal atrasado e Feliz Ano novo. Curta bastante, pois na segunda-feira você tem trabalho a ser feito.

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