O ataque dos jupatis ninja

Grande parte do meu serviço de oreia seca é atender clientes na loja, como eu já disse. Mas, por vezes, minha falta do que fazer é solicitada para algo que seja de real crucialidade. Aí, eu me mando pro ateliê.

Quem ouve-me falando que trabalho no ateliê até pensa que eu presto pra alguma coisa, afinal, ateliê é lugar onde se produz arte. Mas como eu disse, ser um oreia-seca é uma merda. Quando sou solicitado no ateliê é basicamente pra enrolar. Sério mesmo, eupasso o dia todo enrolando linha de algodão numa argola que vai ser utilizada numa peça. Não é nada emocionante, nem algo que se sobressai na peça, mas é cansativo e sonolento. E visto que eu já passo o dia todo com sono e consigo realizar todas as minhas funções motoras normalmente, eu sou o mais rápido pra fazer essas coisas.

Mas não é sobre isso que eu vim falar.

Quando eu vou pro ateliê, eu sou o 4º integrante da equipe, fora eu havia (porque se demitiu a pouco tempo) o marceneiro ronaldo, minha tia, e duas artesãs contratadas: Elaine e Andréia. O marceneiro tem uma sala separada pra só cortar as madeiras e fazer as armações das luminárias. E as artesãs e eu ficamos em outra sala. Aí você imagina o nível das conversas…

Essa aventura do ataque dos jupatis ocorreu a algum tempo já, mas visto que fim de ano demanda posts especiais, guardei essa história para uma época que eu tivesse sem idéias e precisasse tapar buraco. Essa época é hoje. É agora. E foda-se qualquer erro de concordância verbal, estou de férias.

O ateliê é meio caótico. É cheio de pedaços de palha, papel reciclado, acetato e outras coisas que usa-se normalmente para “artesanatar”. E como palha é material orgânico as vezes juntam bichinhos, em sua maioria besouros e pequenos pulgões. Mas esse dia os montes de palha reservariam algo a mais.

Minha tia fazia algo que eu não me recordo agora, mas que necessitava de um material contido no andar mais alto da prateleira. E lá foi ela pegar. subiu na cadeira e começou a vasculhar a palha.

De repente, ela de um grito que eu me assustei profundamente. Profundamente não, bem externamente visto que eu dei um salto para trás e empunhei o pincel como se ele fosse uma espada, fechei a cara em tom de ameaça pra descobrir que era apenas minha tia. Mas o que eu vi nos segundos seguintes tirou minha cara de mal e me deixou com uma cara de admiração.

Minha tia nunca foi das mulheres mais ágeis. Na verdade eu acho que eu nunca vi uma mulher ágil. Com toda essa viadagem de “sou mocinha/mulher e não posso suar” ela sacabam perdendo a grande diversão que é um simples salto, uma estrela, um pulo-de-gato ou até um salto mortal. Então aquele salto espetacular que minha tia deu, percorrendo a distância de 3 metros, caindo em pé, e no mesmo pé subindo como um raio na mesa e correndo para um salto não menos espetacular janela a fora, me fez realmente ficar boquiaberto, até com medo, visto que nem eu conseguiria cobrir aquela distância daquela maneira. Se eu tivesse gravado aquilo em vídeo, ele facilmente poderia se passar por parkour. Na verdade, desbancaria muitos desses vídeos que eu vejo pela youtoba.

Eu não havia entendido o porquê daquele salto, mas ao olhar seu trajeto ao inverso (e ainda não crendo na demonstração de destreza ninja que eu acabava de ver) eu vi o motivo de tanto grito e tanta habilidade, uma jupati quase do tamanho de um cavalo (na visão fresca de uma mulher) mantinha um ninho ali em cima, e quando descoberto, seus filhotes começaram a saltar do ninho em direção às palhas que estavam ali embaixo. Um grande detalhe (que rendeu o nome desse post e que deveria ter sido percebido por vossa senhoria, caso você fosse realmente esperto) é que a prateleira tinha mais ou menos um metro e setenta de altura, e os bichinhos era do tamanho de filhotes de ratos, o que os tornava “ninja”.

Antes que eu me esqueça, isso é um jupati.

E é assim que minha tia estava enxergando ele.

Estava eu, olhando para a mamãe jupati ( que eu constatei que era mamãe porquê ela trazia nas constas um bebêzinho jupati) quando me dou conta, as outras duas mulheres estavam se debulhando em gritos histéricos e agudos que poderia facilmente quebrar a blindagem de um tanque de guerra. Andréia rapidamente chegou ao lado de fora, sorte que elaine não teve, então se refugiou num banco enquanto os ratos desciam aos montes do ninho, e ela tentava pular a mesa para sair da janela, sem sucesso. E entre gritos e mais gritos, lágrimas escorriam de seus olhos.

Falando que nem gente, ela tava tentando pular fora do ateliê e não tava conseguindo, e no meio dos gritos, tava chorando.

Eu também estava do laod de fora, realmente com medo de alguém ter algum ataque cardíaco com medo da criaturinha inofensiva. Essa que por sinal estava ainda no ninho, encarando a todos com cara de quem não estava nem um pouco “dando ligança”, como se diz aqui na terra de painho.

Então, mamãe jupati partiu para a quest “busca pelos filhos perdidos” (desculpem, é o vício no PW), e começou a escalar a parede para recuperar seus filhos. É lógico que, vendo que a situação normalizar-se-ia, eu tinha que rir mais um pouco. Então comecei a pegar pedaços de cacho de açaí e passar de leve na perna de minhas colegas de trabalho, como se tivesse algo subindo pelas pernas delas. O que era motivo para gritos e saltos não menos ninja que os provenientes das ações de minha tia. E risadas realmente verdadeiras de minha garganta.

O resto do dia foi assim, a tensão das minhas coleguinhas em encontrar um filhote de jupati perdido, e eu me aproveitando dessa tensão pra assustar minhas colegas.

O medo faz coisas com as pessoas que até mesmo Nimb duvida…

E que Nimb role bons dados para você!

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