Porque é domingo

Se você está ou já esteve no terceiro ano do ensino médio, provavelmente você já deve ter ouvido falar, em filosofia, de um tal de Jean-Paul Sartre. Graças a ele, nosso mundo teve novas perspectivas acerta de alguns sentimentos e ideias (ainda é difícil escrever essa palavra sem acento) humanas, que anteriormente a ele, eram consideradas verdades universais.

Antes de mais nada, quero especificar que não sou um conhecedor das teorias do sujeito, nem tirei as melhores notas em filosofia – tirando a última prova, que eu fechei, só um detalhezinho pra levantar meu ego. Esse post assim como tudo aqui, tem somente o intuito de zoar com a cara dos outros com a tentativa de te fazer rir.

Tá, eu também quero deixar o professor de filosofia irritado.

Intuitos à parte, era uma vez o Jean-Paul Sartre. Um dia ele pensou sobre o homem e seus projetos. Viu que a possibilidade da não realização dos projetos deixava o homem triste. Decidiu então mostrar essa descoberta pro mundo, fazendo-nos o favor de conhecer o que hoje chamamos de angústia.

E desde então os homens têm cometido suicídio com mais frequência, têm ficado mais entediados, têm procurado passatempos alternativos como esfatiar corpos de namoradas e dá-los aos cachorros e então ver sua diversão, têm criado matérias pra deixar as cabeças dos estudantes mais ocupadas como filosofia e sociologia, têm inventado antimatéria e receitas de comida novas.

A falta de tais passatempos em determinado dia da semana faz com que as pessoas sintam-se de acordo com o que tio Sartre falou: entediadas, angustiadas. Essa é a exata sensação do domingo.

A sensação de domingo começa já no sábado à noite, quando você está assistindo em Super Cine a um filme de drama ou terror qualquer, com histórias de pessoas infelizes ou que se deram mal na vida e que no final continuam em tal posição. Assim, você já vai dormir mais tarde do que devia, pois perdeu tempo de sua vida grudado num filme ruim. Infelizmente, para saber se o filme é bom ou não, você tem que assistí-lo. E é ruim quando ele é ruim.

Outra ocasião em que o seu domingo começa bem é pra você que é baladeiro. Vai a uma festa, bebe como se toda a cachaça do mundo fosse acabar no dia, e volta para a sua casa poucas horas antes do (ou até mesmo NO) amanhecer. Este fato tem a capacidade de piorar sua situação em 85%.

Você então dorme e acorda no domingo entre as 11:00h e 13:00h, com a cara inchada, e com dor de cabeça (caso você tenha feito a opção 2 acima). Vai até o banheiro a lentos passos, esforçando-se para dar cada um deles. Olha seu rosto no espelho e vê a maravilha da criação divina, com leves alterações faciais variando entre inchaço, amarrotamento, olheiras e resquícios de saliva. Joga água no rosto na tentativa de que o rosto volte ao seu estado normal.

Café? Não. Já que acordou ao meio dia, você almoça de uma vez. Vai até a geladeira e checa nas vasilhas o que há de resto de comida do sábado. O velho macarrão com frango e eventualmente uma salada de maionese fazem seu papel, marcando sua presença no dia devido: típica comida de domingo. Para beber, o resto de coca-cola, que já está na geladeira há séculos, tão sem gás que o líquido até suga o ar em volta para si. Mesmo assim, é o suficiente para acompanhar o delicioso almoço.

Terminando o almoço, o prato, os talheres e o copo se unem à pilha já existente, formando uma bela paisagem que combina restos de compostos orgânicos com pequenos insetos. Um verdadeiro ecossistema.

Você deixa que a natureza se implante na sua pia, enquanto vai para o sofá. Liga a TV na certeza de que não há nada de interessante para ver, mas na esperança de que o mundo tenha mudado e os donos de emissoras passaram a colocar boa programação no domingo. Turma do Didi, programas de auditório, propagandas da Polishop. Dentre as variadas opções, você escolhe uma e tenta prender a atenção. O resto da tarde, o que você faz é simplesmente isso. Vegetar no sofá.

Assim então constitui-se perfeitamente a sensação de tédio, angústia. Pois você gostaria de estar numa piscina em sua grande casa, num churrasco com amigos, divertindo-se. Em outras palavras, você está experimentando das ideias de Sartre, degustando da sensação que é tida com a possibilidade da não realização dos seus projetos.

À noite então ir ao cinema ou à igreja seriam ótimas opções, não fosse a falta de dinheiro/vontade. Você então continua a vegetar no sofá. Pede uma pizza para evitar trabalho na cozinha e continua apreciando a programação do Fantástico, pensando quantas vezes ainda vai ter que ouvir Zeca Camargo falando para ter algo como passatempo. No fim da noite, vai dormir com a sensação de dever a ser feito na segunda, bem cedo. E graças a Sartre, milhões de pessoas ao redor do mundo possuem domingos parecidos. Aliás, a hora de acertar o despertador, é uma das mais tristes do dia. Pra fechar com chave de ouro.

11 comentários sobre “Porque é domingo

  1. G-JUIZ!!!! Cara uma das melhores teorias a qual eu tive conhecimento!!!! Jean-Paul Sartre, deixou bem claro o pq dos domingos tão frustantes!!!
    Tipow tem dias q eu acredito que o domingo consegue ser um pouco pior q a segunda feira!!! “Tenso”

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  2. Pingback: Tweets that mention Porque é domingo « Class Jokers -- Topsy.com

  3. Eu gostei do post, pois me identifiquei muito com a figura que acorda tarde, almoça e fica refestelado no sofá a tarde toda, haha.

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