Nossa, como você cresceu!

Sempre fui meio antissocial, ou anti-social, ou seja lá como se escreve essa palavra. Mas não com todo mundo, só com os adultos. Adultos são criaturas chatas que acham que só pelo fato deles serem adultos eles são fodões e que você tem que pagar pau e lamber algum lugar escatológico de suas anatomias. Então por esse fato eu sempre tive um pé atrás com adultos.

Acontece que minha família é grande. Entenda grande como grande pra caralho, grande mesmo, tipo o vazio dentro da cabeça da Carla Perez/LucianaGimenes ou a viadagem dos integrandes de Cine/Restart. Para vocês terem uma noção, pelo menos 1/4 da população do distrito onde minha vó mora é parente nosso. Não que numericamente isso seja muita coisa, mais proporcionalmente é gente pra caralho. Então, andar com minha vó ou minha mãe ou minhas tias sempre significou ver gente conhecida. E como elas são, contrariamente à minha pessoa, sociáveis isso significou sempre uma  pausa para conversa. E como eu sempre fui antissocial com adultos, significou sempre ficar lá à paisana enquanto o povo conversava.

Hoje em ia não é muito diferente, com o diferencial que agora quando isso me enche o saco eu posso simplesmente dizer “Meu nome é tchau!” e me mandar pra algum lugar mais interessante, tipo uma aula de cha-cha-cha para a terceira idade (desculpem a redundância). Porém, algumas vezes eu estou um tanto quanto amorfinado por alguma coisa, e resolvo ficar junto de minhas familiares em caminhadas. Hoje foi um desses dias.

Essa semana havia sido no mínimo insólita, porque tudo o que eu queria que se concretizasse se concretizou (incluindo a política da boa vizinhança, mas essa é outra história). Para algumas pessoas isso deve ser apenas corriqueiro, mas não pra mim. Eu acho que antes d’eu nascer eu pichei a cruz, taquei fogo ou sei lá, mas eu nasci com o incrível dom de me foder, e desde então (desde meu nascimento), minha vida é igual vida de puta de estrada (fudida e mal paga). Então, chegou no fim de semana na semana onde tudo deu certo e eu tava mais alegre que bêbado quando encontra grana prum último trago. Aí eu resolvi caminhar.

Porém eu tinha esquecido de uma única coisa: Era dia de festa de santo.

Caso vocês não saibam, as cidades de interior do nordeste são assim: tem uma festa por ano, geralmente do santo padroeiro da cidade. Mas não é uma festinha qualquer nao, é um festão de arromba, que reúne gente de todas as cidadecas da redondeza, todas as roças das adjacências e dura uns 3 dias. Aí a cidade fica uns 150 dias comentando sobre a festa, e mais uns 150 preparando a próxima festa (finjam que eu fiz as contas e que eses dias se somem e formem 365). Aqui, como é uma cidade de interior um pouco maior, temos duas festas: Nossa senhora da pena (padroeira de porto seguro, que é o município sede) e Nossa senhora D’ajuda (padroeira de Arraial D’ajuda, distrito onde minha família por parte de mãe quase inteira reside). Era festa de nossa senhora D’ajuda.

Como vocês podem imaginar, veio gente até do inferno. Eu achei que ressurreição fosse coisa de PW, mas eu vi que não era, porque tinha gente que eu vi ali que eu jurava que já tinha morrido. Mas isso não era o pior, esse Nimb ainda estava reservando pra mais tarde.

Canela vem, canela vai, eis que em um dado momento da caminhada, paramos em uma barraquinha de diversos (cerveja, tira-gosto, cerveja, refrigerante,caldos, cerveja, etc…) onde encontramos uma penca de familiares. Putaqueopariu, que dia amladiçoado pra acontecer isso.

Encontrar parentes que você não vê a muito tempo significa apenas uma coisa: Você cresceu. Foda-se como você vai,foda-se se você virou gay,  foda-se se você perdeu um braço, foda-se se você trocou de sexo, foda-se tudo isso, você cresceu, é a única coisa que as pessoas percebem. Caralho, eu tenho um metro e oitenta e um, e nasci com 53 centímetros, eu sei que eu cresci porra!!

Mas as pessoas nao se tocam, principalmente quando estão sob efeito de álcool. Mas infelizmente, eles são parentes, e você não pode simplesmente destratá-los assim de qualquer forma, porque parente é a pior desgraça que existe: os que você trata com mais carinho nunca servem pra porra nenhuma, mas aqueles que você mais pisa são aqueles que você vai precisar na hora mais crucial. Felizmente, eu desenvolvi um método para escapar das chatices desses indivíduos. Na verdade nao escapar totalmente, mas pelo menos sair pelas beiradas.

Quando eu vejo que eu vou encontrar familiares antigos, eu começo a fixar o sorriso falso. Primeiro penso em alguma coisa engraçada, tipo quando umagorda vem cantar você, daí você estica um pouco mais a bochecha e grampeia ela lá perto da orelha, assim você fica com um sorriso eterno, e indispensável para continuar a farsa. Depois, você simplesmente entra no piloto automático, o que significa que você está ali, mas não está ali. Você tá pensando na sua vizinha gostosa, e em praticar a política da boa vizinhança, tá pensando sobre a rota de migração das andorinhas, tá pensando sobre aonde os ursos polares hibernam, se é que hibernam, pensando em qualqur merda, menos em dar atenção aos parentes ali. E pra finalizar, tem a técnica da risadinha: cada vez que alguém parar pra respirar, você solta uma risadinha e descontrai com todo mundo. Óbvio que essa técnica pode ter efeitos colaterais se usada por gente burra, porque se o interlocutor falar, por exemplo, que a mãe dele morreu e você soltar uma risadinha, isso causará um incidente internacional e provavelmente dali a 4 dias você precisará crucialmente daquele desinfeliz e ele te mandará tomar em todos os seus orifícios possíveis.

Felizmente essa técnica funcionou e deu pra disfarçar um pouco, mas tembém é dispensável dizer que encontrar familiares perdidos estragou meu humor e fechou com chave de plástico a semana onde tudo deu certo né? O que eu não queria que fosse verdade é que ele daria um pontapé inicial a uma semana onde tudo vai dar errado.

E olha que hoje é só domingo…

E que Nimb role bons dados para vocês, porque pra mim ele anda bem sacana…

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