Cor

Falar sobre cor é uma merda, já te disseram isso?

Primeiro porque hoje em dia quando se fala cor, se associa muito ao restart, e qualquer coisa que se tenha uma mera associação com restar sem o conectivo lógico “ódio” é uma merda. Depois porque ao falar sobre cor todos carregamos uma carga excessiva de preconceitos nas nossas cabecinhas, que vem lá do berço, da frente da tv e do interior do sistema, como disse o capitão Nascimento.

Mas diferente daqueles que pensam, quem escreve/fala sobre o assunto não tem permissão para ter esse preconceito, porque é errado e excessivamente coisa de filho da puta, e como nós, que discorremos, escrevemos e falamos sobre o assunto, somos os primeiros a contrapôr (isso tem acento?) os filhos da puta, ter esse preconceito conosco é um ato repudiável.

Mas infelizmente nós temos, e portando falar sobre cor é uma merda. Mas quem já lê o blog a algum tempo sabe que eu não tenho costume de ligar pra essas coisas.

Chris rock fala constantemente em seus textos (seja os para stand-up, seja para o seriado “Todo mundo odeia o Chris”, seja para os filmes que ajuda no roteiro), como é ruim a vida do negro americano. E a vida do negro americano é uma merda mesmo. Na verdade, a vida do negro em todo lugar do mundo é uma merda.

Só que não é soobre isso que eu vim falar, porque esse texto seria muito chato, afinal a pessoa que se foderia nele não seria eu, mas sim o Chris Rock. O foco desse blog sou eu e como eu tenho a capacidade de me foder em quase todos os sentidos (com excessão do sentido anterior-posterior, e você terá que pensar um pouco para entender essa). Eu quero falar da merda que é ter a minha cor.

Já postei algumas fotos minhas, mas vou postar de novo para dar uma idéia da cor:

Então, aí está. Mas se a vida fosse só postar fotos em blogs, estaria tudo bem.

A questão é que classificar essa cor é muito, mais muito ruim. Primeiro porque “cor” não é, ou não deveria ser, algo imposto pelos outros, mas o que “você se considera”. Só que as pessoas não consideram você o que você se considera, e sim o que elas te consideram. Aí quando um filho da puta te pergunta sua cor e você (que tem a minha cor) responde “preto”, acham que você é branco demais pra ser preto, e quando responde “branco”, acham que é preto demais pra ser branco. E quando responde “Vai se foder”, acham que é escroto demais pra ser gente.

Lembro-me como se fosse hoje, do dia que o recenseador foi lá em casa, e perguntou à minha mãe a cor dos meus irmãos, a minha e a dela. A deles era muito fácil, pois todos eram brancos, mas e eu? Eu pensei, pensei e optei por responder negro, que afinal é o que eu me considero. Aí o recenseador, que por sinal era negro, porém com mais melanina que eu, me olhou de cima abaixo com olhar de reprovação e concluiu “negro é?”. Na hora me subiu um ódio muito grande, e o recenseador deveria ter agradecido por que não ser um sayajin. Por isso eu acho censo de cor uma merda, e todo mundo que é como eu também deveria achar.

E o pior é que você fica com a pior parte de ambas as partes. Quem é preto te odeia porque você é branco e , na cabeça deles, tem todas as oportunidades que os brancos tem, e quem é branco te acha pior porque você é preto, e tem o maior defeito de ser preto, que é ser preto. E não adianta dizer que não é assim, que não existe racismo no Brasil, porque a sociedade transborda racismo pelos poros, e quem tá no limiar dessa epiderme que toma no cu e sofre os efeitos de toda essa burrice chamada “racismo”.

Por isso que eu penso que miscigenação é uma merda, mesmo quando pregam que o Brasil é lindo pela mistura de raças, culturas e crenças. Miscigenação no fim das contas só gera uma massificação do preconceito, além de tornar o povo menos individual e mais uma grande massa uniforme, que é regida pela globo e facilmente manipulada. Gera um caso como o meu, e o de várias pessoas por aí, que são frutos da “miscigenação”, mas herdam mais coisa ruim do que boa de cada lado.

Mas porque eu odeio? Vamos pensar no caso dos povos indígenas, que foram massacrados e hoje estão quase a perder sua cultura e sua linha genética, se eles se miscigenassem, o que ocorreria? O fim de um povo e uma cultura, que seria substituída pela nossa. É meio cruel, mas isso me lembra um extermínio, em grandes proporções.

Tem outro ponto que pra mim é importantíssimo: Como seria a humanidade se ela fosse toda miscigenada e o gene que prevalecesse fosse o gene restart? E se nossos filhos nascessem com predisposição à vestir calças apertadas sem lugar para testículos e blusas, todas multicoloridas, e sem nenhuma predisposição ao desenvolvimento de neurônios? Seria o apocalipse.

Enfim, por essas e outras que eu detesto falar de cor, raça, quantidade de malanina na pele ou seja lá qual o nome politicamente correto dessa merda. Pensei, pensei, escrevi, reescrevi, mostrei pra algumas pessoas e não encontrei nada que fosse preconceituoso aqui. Mas caso você tenha se sentido ofendido com alguma coisa escrita aqui, manifeste-se educadamente nos comentários, que eu retiro sem problema do texto. Caso você seja mal educado, empale-se.

E que Nimb role bons dados para você!

3 comentários sobre “Cor

  1. Pingback: Como NÃO se matricular na faculdade « Class Jokers

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