Alcoholic Tales

Dando início a uma nova categoria de posts, venho aqui partilhar de experiências com vocês, que não necessariamente são minhas, mas sim de várias companhias minhas e também de não-companhias. Ou até mesmo histórias minhas, quem sabe?

Antes de mais nada, para evitar quaisquer problemas para os envolvidos nas histórias, e como já é de costume, nãoidentificarei ninguém. Apenas ter participado de tais contos é uma vergonha grande demais. Também é interessante ressaltar que exageros existem, portanto fiquem tranquilos.

Sem mais delongas, comecemos de uma vez:

Era uma festa de fim de ano, dessas festas de fim de ano assim como todas as festas de fim de anos são, cheias de despedidas e alegrias, e também com muita gente bebada. E como é de praxe em turmas de amigos, os bêbados fazem rodizio, em cada festa um pequeno grupo fica bebado e faz a alegria do grupo que fica sóbrio. Dessa vez não foi diferente, e a vez dele ficar sóbrio já havia passado.

Ele era um garoto, como podem notar aqueles que tenham conhecimento de língua portuguesa, e assim como todo garoto, bebia apenas com um intuito: desinibir pra poder criar um pouco de coragem e um pouco de criatividade a mais pra chegar em alguma menina. E dessa vez não seria diferente.

Ou melhor, seria sim, e foi exatamente essa a ordem que as idéias ocorreram em sua cabeça, e ele lembrou que não podia ficar bêbado, porque tinha prova no outro dia, então resolveu beber pouco. Quero dizer, pouco pra ele, porque já estava acostumado com aquele volume alcoolico, além de conhecer alguns truquezinhos pra não ficar bebado tão rápido, porque muito menos foi preciso para deixar a maioria de seus colegas bêbados, mas isso é outro papo.

“Como não vou beber, porque não ajudar os outros a beberem?”, provavelmente pensou ele. E foi isso que fez grande parte da noite, preparou as famigeradas caipivodkas que as pessoas tanto apreciam nessas ocasiões. Nisso chegou uma das meninas que o motivavam a beber, e óbvio que ele, mesmo sóbrio não perderia a oportunidade de fazer alguma coisa, que provavelmente seria besteira, vide lei de murphy. Mas ligar o foda-se é arte, se foder faz parte, então ele foi pronto a se foder.

Mas o desenrolar dessa história ainda guardava boas surpresas, e no caso dele qualquer coisa boa é surpresa, porque ele se assemelha a mim nesse quesito, só se fode. A menina em questão pediu a ele uma caipivodka, e ele prontamente atendeu o pedido enquanto ela virava alguns copos de tequila, e na mesma velocidade que virou a tequila virou um copo de caipivodka, que vinha reforçado visto as segundas intenções do malévolo garoto.

E ela pediu a segunda, e a terceira, e virou como água. Ou mehor, nem água a maioria das pessos consegue virar um copo como ela virou, mas isso não é tão importante. A grande questão é que o alcool chegou na corrente sanguínea tão rapido quanto desceu o esôfago, e lá estava a menina com os olhos semicerrados e falando sandices e rindo como se estivese assistindo a um stand-up épico.

Então a noite começou de fato.

O garoto, mesmo sendo um garoto, era bondoso demais para se aproveitar da menina naquele estado, e ele resolveu que seria seu anjo da guarda. Ou talvez isso tenha alguma ligação com o fato que um mês antes que m estava naquele estado era ele, mas isso a gente não sabe.

A questão é que ele, agora mais bondoso e valoroso que um paladino do caos, estava ali apenas para fazer com que a dita-cuja melhorasse. Primeiro a fez sentar em um lugar arejado, e depois trouxe refrigerante para que ela tomasse, além de um comprimido de Engov.

“Tira esse negócio daqui, você tá querendo me drogar pra se aproveitar de mim!”

Essa foi a resposta, coisa que todos os que estavam no recinto ouviram, todos os vizinhos ouviram, todos os habitantes do bairro ouviram (e provavelmente nao ficaram satisfeitos, visto que eram 11 da noite de um dia de semana), e também fez com que todos desse muita risada, e repetissem isso por dois meses sem parar. E fez com que nosso maroto paladino tivesse que pedir a uma amiga da menina que enfiasse goela abaixo o comprimidinho.

Feito isso, alguns insultos foram proferidos, algumas tentativas de sair da cadeira, prontamente negadas, visto que o chão encontrava-se molhado e escorregadio, até que, vendo que a situação dela apenas piorava, nosso destemido combatente das forças do mal a leva para a cozinha para tomar agua com açúcar. Coisa que foi muito difícil de conseguir, visto que o unico interesse da menina era uma “ultima dose de vodka”, coisa que ela deixava clara para todos no raio de 2 km.

Após muita luta diplomática, nosso paladino consegue com que a menina beba água com açúcar. Ou pelo menos metade, já que ela arremessou o copo na pia e o agarrou pelo pescoço.

-Pronto, agora me dá um beijo.

Era a frase que valeria a noite. Foda-se o fato de que a tequila agora fazia efeito nele e nela juntos, era o que valeria a noite. E nosso paladino agora converteu-se em Don Juan, e prontamente atendeu o pedido da menina.

-Ninguém viu, né?

Disse ela depois da separação dos corpos.

-Não, fica de boa.

Disse ele, mesmo sabendo que eles tinha se “coisado” – que é a palavra mais próxima foneticamente do que eles tinha realizado – era uma janela que dava direto para a área onde todos estavam, mas isso é um detalhe desimportante.

Nesse momento a noite já estava ganha, e ele começou a acreditar um pouco mais na lógica Cristã, de que uma bondade sempre é recompensada. Aliás, todos que viram isso souberam disso no ato, mesmo que não tenham sido todos os presentes.

Lá vai ele fazer que a menina ficasse parada de novo, para evitar destruições na propriedade. Nessa parte uma das conversas mais cômicas da história tinha início:

– Eu amo Z! – dizia el, senod que Z é o namorado dela

– Tá, agora fica quietinha aqui pro alcool passar, e toma essa coca-cola.

– Mas cara, eu amo muito ele, eu tenho que falar isso pra todo mundo: EU AMO Z!

– Menina, cê tá dando vexame, fala baixo!

-Não, tenho que falar isso pra ele agora, vo lgiar pra ele, pera. – E pegou o celular.

-Menina, Para com isso! Me dá essa merda aqui. – E toma o celular dela – Amanhã cê fala isso pra ele.

– Mas eu preciso agora! ME DÁ ESSA PORRA AQUI! – E toma o celular da mão do menino

– J (que era uma amiga que passava por perto, igualmente bebada)! Pega o celular da mãe dela aqui rápido!

J da maneira mais ninja posível toma o celular da menina e dá ao nosso herói paladinesco, que por sua vez entrega-o a algum perdido sóbrio na festa, e volta à garota:

– Amanha você fala com ele.

– Cara, eu amo ele demais, você perdeu, eu amo ele pra caralho – E começa a acariciar o canto da boca do garoto – Ele é faixa preta, sabe o que isso significa? – Tapa – Significa honra, coragem e força – Tapa – isso é demais – Tapa – eu amo ele, mas você tem uma boca muito sexy – carinho no rosto – muito sexy mesmo.

A cara do garoto era um YingYang de cores, de um lado a cor escura tradicional de um elogio nao esperado e o branco de medo da garota ter um namorado pugilista e ninja, provavelmente assassino e 4 vezes mais condicionado fisicamente que ele, mas o foda-se foi ligado e a garota deixada com uma amiga.

A noite continuou sendo uma criança, e os meninos viraram garotos de novo, ou pelo menos ele, que pulou na piscina gelada de tanta felicidade não importando a profundidade que ela tivesse e o short recém-lavado que ele usava.

Todos estavam se divertindo e ele resolveu que beberai masi, e junto com seus amigos resolveu descer pela garganta cachaça da boa, e desceu, e a alegria subiu.

Mas a garota ainda passavam mal e seu espírito benevolente ainda se fazia necessário, e lá foi nosso jovem, tentar dar mais agua com açúcar para nossa jovem amiga. Porém dessa vez ele misturava em seu interior  a felicidade do feito que poderia se repetir e a frustração de que ele não era o único na cozinha dessa vez. Dessa vez vinham com ela outra amiga que se fazia de samaritana, assim como nosso herói, e uma outra amiga randômica de ambos os envolvidos no romance alcoólico.

Porém, dessa vez os protestos por uma “ultima dose de vodka” pareciam mais sérios e dificilmente seriam rebatidos. De jeito nenhum a menina queria aceitar um copo de água com açúcar e jogou fora dois copos, coisa que causou muita hostilidade entre partes femininas envolvidas, além de agua no nariz de um desavisado, coisa que gerou mais hostilidade no lugar.A única saída era fingir que a agua com açúcar era vodka.

E foi feito isso. Óbvio que sob tentativas de desmentir o fato pela própria bêbada, que mesmo estando nesse deplorável estado, ainda era a aluna mais aplicada de sua sala. “Isso não é vodka, é agua”, dizia ela repetidas vezes. Até que, numa teatralidade mestra, uma das meninas tomou um gole e fingiu que a água descia rasgando sua garganta, performance que convenceu a todos, até mesmo os sóbrios, que aquilo era vodka, e daquelas bem ruins.

Etão sai nossa amiga, cambaleando, pela cozinha. Óbvio que nosso paladino nao poderia deixar que o pior acontecesse, e rapidamente fez com que o braço da garotafosse seu terceiro apoio, apoiando-o em seu ombro. E num desequilíbrio, o melhor veio a acontecer, os dois estavam novamente ali, numa das menores distâncias que as pessoas podem alcançar umas das outras. E dessa vez todos viram mesmo.

E subitamente a cachaça que ele havia ingerido sumiu de seu sangue e ele percebeu a merda que tinha feito. Ao ver todos olhando assustados para os dois, e uma súbita crise de alegria e comemorações no ambiente, ele viu que se o namorado ninja soubesse ele estaria mais fodido que atriz em fim de filme pornô. E provavelmente o namorado saberia, então correr seria o único modo de manter a virgindade traseira.

Eis que a menina também se dá conta do que fez, e chega sua amiga J, tão bêbada quanto ela, tirar satisfação:

– Sai daqui! Ela tá chorando porque ficou com você!

– Mas eu não fiquei com ela! – Disse ele numa cínica dissimulação, digna de ir para os anais do teatro – To falando!

– Não ficou com ela?!

– Óbvio que não! – E parou por aí porque sabia que qualquer erro ali seria fatal para a mentira

– Então tá.

E foi lá consolar a menina, acreditando no nosso paladino paradoxalmente dissimulado.

E assim foi até o fim da noite, ele ainda cuidado em alguns momentos da menina e sugerindo que ela dormisse na casa dele, que era perto do local da festa, que por sua vez era longe de tudo, porém sem nenhuma intenção maliciosa, apenas para retribuir o que a menina tinha lhe fornecido.

E ficamos por aqui com esse primeiro conto alcoolico, mas sabendo que num mundo como o nosso, onde propaganda de cerveja é a que mais faz efeito, sabemos que outros virão logo logo…

Porque quem não bebe não tem história.

E que Nimb role bons dados para vocês!

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