Como nascem as lendas

Tá, lendas é exagero, o titulo real do post era pra ser “como nasce uma fofoca”, mas foda-se.

Desde que a humanidade se entende por gente, existe a maldita fofoca. Na era das cavernas, quando o primeiro homem descobriu o fogo, sua esposa logo foi se vangloriar para suas amigas, que logo se puseram a destilar o veneno:

“De tanto essazinha aí negar fogo pro marido ele teve que inventar um próprio!”

“O marido dessa aí tá caçando fogo na rua!”

“Esse cara tem até amante!”

Percebam como a história chega num ponto que nada tem a ver com o assunto principal, mas que, pelo fato do ser humano ser uma criatura que mais deprecia o outro do que se aprecia, se torna uma verdade universal via uma argumentação escusa e quebrada em partes.

Como nem eu mesmo entendi muito bem o que isso quer dizer, explico  na linguagem popular: Quem conta um conto aumenta um ponto.

E assim voltamos ao título do post. As lendas nascem a partir do exagero das pessoas em relação às histórias. Quando o interlocutor vai com a cara do protagonista, vira lenda, quando não vai, vira fofoca. E a história continua crescendo, num efeito bola de neve impressionante.

Vamos a um exemplo: Uma ida à praia.

Tudo começa quando o cidadão vai à praia e, por esquecimento, não passa protetor. O que ocorre? ele fica queimado, vermelho e com as costas ardidas, como é normal acontecer com as pessoas. Mas não na boca do povo. Essa parte conciste na primeira parte da fofoca: a realidade.

Ele chega no seu trabalho e o pessoal vê que ele está queimado e com as costas ardendo. Qualquer criatura sensata pensaria que ele foi à praia e se queimou, mas não o ser humano. Logo as pessoas já estão comentando “Porque ele está com as costas ardendo? Será praia só ou tem algo por trás?”, coisa que consiste na segunda parte da fofoca: a dúvida.

Como o ser humano é curioso por natureza, óbvio que as pessoas perguntam o que houve, então o sujeito conta a verdade. Mas o ser humano também é um troço desconfiado, e não se baseia só no depoimento da única testemunha do caso, mas caça outras evidências, mesmo que intuitivas para descobrir o que ocorreu. Essa parte da fofoca é chamada de a investigação.

Depois de “descobrir” o que ocorreu, a contece a transmissão da informação. É onde a parte ruim da fofoca e a parte boa da lenda começam. Não adianta nada ter uma boa história se você não pode compartilha-la com ninguém. Aí começam os famigerados: ‘Cê ficou sabendo de higór?”, “Meniiiiina, vo te contar um babado…”, “A-MI-GA, já te contei de higór?”. e depois temos a história, na versão “descoberta” óbvio. No caso do garoto na praia, as assaduras e queimaduras nas costas seria algo como: “Menina, te contei que nosso amigo lá foi na praia esses dias? Poisé, mas parece que ele não foi sozinho, tava acompanhado por uma moça, uma prima ou vizinha, não sei ao certo”.

Depois da transmissão, temos a última parte: a dispersão, essa é a parte que pega. Dispersão não é simplesmente uma transmissão pura, onde o boca-a-boca impera, não é nada relacionado a esse afogamento informacional, mas sim está relacionado a uma interlocução menos pessoal e de maior escala, na qual um fala e muitos escutam, para que posteriormente esses muitos se tornem os “uns” a falar para outros muitos.

Em suma, é a parte do “aumenta um ponto”. Você conta para quantas pessoas julgar necessário (leia-se: quantas pessoas sua consciência permitir), mas não a versão ouvida, mas dando ênfase aos detalhes que lhe interessam. A história da praia por exemplo, viraria algo como: “Menina, nosso amigo tava na praia com uma moça, mas pense numa moça quenga! A mulher não desgrudava do pescoço dele, e eles ficaram no maior agarra-agarra na praia. Ele saiu de lá todo arranhado nas costas, pode olhar pra ele, ninguém nem encosta!”, ou ainda algo como: “Menina, sabe aquele meu amigo? Poisé, tá ficando com uma moça agora que pega ele de jeito. Foram na praia esses dias e ela jogou ele na areia que parecia que ia dar pra ele ali mesmo. O pobre tá com as costas todas assadas e arranhadas que nem camiseta tá conseguindo por, tá do jeito que veio ao mundo a 3 dias.”

Isso óbvio, se nenhum fato estranho tiver acontecido, porque certamente vão ligar isso ao fato de fulano fazer o que quer que tenha feito. Caso alguma menina feia tivesse começado a namorar recentemente, já tínhamos o culpado: “Menina, sabe fulana? Poisé, meu amigo pegou, como pode uma coisa dessas? Tavam lá, semana passada de mãos dadas na praia. Vo ter uma conversa séria com ele.”. Se for um menino que tiver começado a namorar, pobre do garoto da praia…

Assim temos uma história que começa em uma praia sem protetor e termina com um caso de amor tórrido entre um menino mais ou menos e uma menina feia. E percebam que até mesmo esse resumo pode ser mal interpretado, portanto cuidado no trato dessa informação posteriormente.

E que Nimb role bons dados pra você!

P.S.: Sim, eu poderia falar de como surgem as lendas também, mas quem gosta de saber sobre coisas boas?

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