Amigo é pra essas coisas

E nosso amigo paladino ataca de novo.

Como sabemos, na sociedade contemporânea, o stress em grande quantidade causa danos irreparáveis no ser humano, então este se refugia em qualquer coisa refugiável. A grande maioria queima os neurônios na televisão, para nao ter que pensar nas merdas da vida, outros fumam, e outra parte bebe.

Aqueles que bebem, não podem simplesmente beber por beber, senão passariam de bebedores relaxados para alcoólatras, então procuram ativamente por motivos que levem a alguma comemoração, para que a comemoração vire cevada fermentada. Óbvio que o nascimento de um filho é motivador para uma “cervejada de fralda”. E nosso amigo paladino, com certeza, estava nesse meio, não só como participante, mas como organizador ativo.

Era um sabado como outro qualquer, com excessão que nosso amigo paladino tinha acabado de sair da aula, assim como grande parte dos envolvidos na brincadeira, o que fez com que ele fosse para o futebol com os olhos injetados de sangue para se divertir.

O futebol foi o menos interessante, o que viria depois era contrário a essa idéia.

A importância da ocasião fazia com que o nível da festa subisse, ou ao menos no começo. Ao apito final, tivemos um grande churrasco, com o famoso “porquinho com abacaxi”, e duas grades de cerveja, além de uma famosa cachaça de salinas:

Também tinha uma garrafa de vodka e limões, para fazer as famigeradas caipivodkas, que já haviam gerado tanto problema. Mas, por incrível que pareça, o problema não foi esse, o problema foi quando inventaram de comprar tequila.

Tequila é o grande animador de festas, todos sabemos, mas sabemos também que não é uma bebida muito barata, então, fez-se necessária uma “vaquinha” para arrecadação de fundos para a compra da bebida.

Assim, saiu nosso amigo paladino, trocando as pernas, comprar o famigerado corvo. Porém, por ser cara, tequila também não é a bebida mais fácil de se encontrar nas lojas e supermercados, principalmente às 8 da noite, fato que se interpôs entre nosso paladino e o estado de euforia máxima.

Mas, mentalidade de bêbao é ilógica, e munido de dinheiro, sem bebida ele nao ficaria. Deciciu comprar uísque, idéia de merda sabemos, principalmente quando ele decidiu comprar vibe, um concorrente nada forte do todo-poderoso-dos-energético Red Bull.

E pior, nada mais nada menos que DUAS garrafas de uísqui ruim! Era um pedido de internação por coma alcoólico, mas ninguém ligava pois estavam todos bêbados mesmo.

Chegando lá, as pessoas tiveram a atitude esperada:

“QUE DESGRAÇA DE UÍSQUE É ESSE, PALADINO?!?!?”

Mas, depois de 2/3 da primeira garrafa seca (por sinal, por apenas 3 indivíduos), todos aceitaram sua presença, para depois comunhar com ela. E assim a noite ia caminhando, mesmo que trocando as pernas. Até que o trocar de pernas virou uma quase inutilização das mesmas por parte de uma certa pessoa. E ela teve que ser levada dali, visto que seus braços eram o unico apoio que se podia usar.

Rapidamente, a criatura estava na casa de uma de suas amigas, acompanhada da dona da casa, duas amigas e seu melhor amigo, o paladino, que até o fim da noite se provaria realmente amigo.

De início, todos entraram em consenso que o paladino nao poderia entrar no banheiro enquanto a menina em questão estivesse tomando banho, mas essa resolução durou 20 segundos, quanod nosso paladinho herói escutou do lado de fora do banheiro um baque forte no chão, seguido de um sonoro: “AI QUE NOJO!!!!“, e acompanhado de um clamor: “PALADINOOOOOO!!!“.

Ele, tomado de seu ímpeto heróico, chutou porta abaixo como num filme hollywoodiano e viu a cena deplorável: a menina jogada abaixo da cadeira, deitada em seu próprio vômito, numa posição inumana, enquanto suas amigas olhavam para ela, mais perdida que calcinha em suruba. E noso paladino amigo, sem ter opção, jogou-se à suas atitudes paldinescas.

Levantou a menina e, vendo que era impossível matê-la sentada nacadeira, segurou-a pelo tórax, mantendo-a de pé, e começou o trabalho de limpeza. Deu banho nela ao mesmo tempo em que tentava, em vão, fazer com que ela bebesse água do chuveiro, para diluir o álcool no estômago. A coisa mais próxima disso que ele conseguiu foi um quase afogamento por parte de sua protegida ao jogar a cabeça para trás.

Depois de alguns minutos de banho, o paladino sente que água escorre por seu corpo. Mas ele lembra que a área do chuveiro é pequena, e que só estava molhando sua donzela em apuros. Então ele olha para seu tórax: a única coisa em comum com água que o fluido tinha era o fato de ser líquido. Era vômito, como podem imaginar, e a essa altra do campeonato, já descia cintura abaixo, passando por dentro da cueca.

Mas, fazer o que, o altruismo paladinístico nessas horas fala mais alto, e nosso herói perdeu qualquer traço de humanidade naquele momento. Ele era apenas uma máquina de cuidar e lavar donzelas indefesas. E foi isso que ele fez, retirou qualquer rastro de vômito dela e levou-a até a cama. Foi uma árdua tarefa, visto que o chão de azulejos molhado se tornava pior que arena de futebol de sabão, e uma pessoa sem mobilidade nas pernas não é o que se pode chamar de “fácil de carregar”. PRa arrematar, o caminho do banheiro até o quarto da dona da casa passava por um armário com portas de vidro, fazendo com que a travessia do pequeno espaço pudesse render um filme a lá Indiana Jones.

Assim, com a moça na cama, nosso paladino foi lavar o banheiro e se lavar. Coisa que nao durou muito, pois depois de cinco minutos, as amigas da menina agraciada pela sua bondade já gritavam de novo, pois ela tinha vomitado na cama. E lá vai nosso paladino de novo praticar a bondade. Porém, dessa vez tinha um agravante: ele vestia só sua roupa íntima, vestuário compartilhado pela dama. Seria uma cena digna de filmes românticos (ou quiçá eróticos), não fosse nosso paladino ter seus valores morais acima de qualquer lei ou qualquer masculinidade.

Novamente ele cuidou da moça com todo o respeito possível, mesmo que durante o banho, ele fosse atacado pela dama com mordidas por todo o ombro e pescoço. Por vezes era necessário uma apelação mais escatológica para que a dita-cuja largasse o pobre coitado (“Criatura, cê tá me excitando desse jeito. Seminua e me mordendo fica difícil!”).

Assim, terminou outro banho, e novamente nosso paladino a pos na cama e terminou seu banho. Por sorte (coisa rara se tratando do nosso herói), ele trazia um short extra na bolsa, coisa que nunca fazia em dias de futebol. Então ele trocou-se e ficou a espera da mãe da moça, que viria busca-la desesperada.

Quando ela chegou, ele rapidamente levou a menina em seus braços, descendo as escadas enquanto ouvia súplicas da moça por mais bebida, sob pena dela vomitar de novo. Obviamente elas foram ignoradas pelo paladino, que só pensava em coloca-la no carro da mãe. Porém de súbito ele foi atacado por uma idéia: ele estava sem camiseta, molhado, com as calças caindo, e ela estava bebada, com um shortinho minusculo de pijama emprestado, com os cabelos molhados. A conclusão daquilo parecia óbvia agora, e ele quis correr para qualquer lugar para não enfrentar a mãe da moça.

Mas sua coragem falou mais alto e ele colocou-a no carro, ficando o menos tempo com contato visual possível. E foi-se embora para casa.

E assim, nosso paladino garantiu seu terreninho no céu, com um pequeno pomar atrás, uma vaca e um porco. e nem precisou pagar nada pro Edir Macedo.

E que Nimb role bons dados para vocês!

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