Mas não somos

Eu vejo filmes de amor, e são coisas assim que me fazem lembrar que eu ainda sou humano.  Eu vejo filmes de amor e penso “Porra, isso bem que podia acontecer comigo”, como todas as pessoas pensam. Eu penso que seria lindo se eu tivesse uma mulher que me entendesse, e que acordasse linda todos os dias. Mas aí eu vejo quanta merda eu to pensando.

Filmes de amor nada mais são do que uma indústria vendedora de sonhos. São um feirão da casa própria que vendem terrenos dentro da sua cabeça. Vendem a idéia de que um grande amor é o seu alvo, que você só estará completo se estiver ao lado da pessoa certa. vendem a idéia de que você quer se sentir completo.

Mas, à medida que você paga as prestações dessa idéia, você vê que elas só fazem aumentar, e que os juros rolam soltos, e que é uma idéia que você nunca vai pagar. Isso quando não percebe que a vida toda, essa idéia que você compra, é paga com dinheiro de um trabalho que você não gosta pra impressionar pessoas que você odeia. Você vê que está numa geração sem peso na história, sem proposito ou lugar, sem uma grande depressão, uma grande guerra, apenas uma depressão chamada vida e uma guerra espiritual. Você vê que passou a vida toda sendo criado pela TV para acreditar que seria uma estrela de cinema ou astro do rock, mas que no final não é nada disso.

Não, eu não quero isso pra mim. Não quero provar nada a ninguém, não quero provar nada nem à mim mesmo, provar a si mesmo é masturbação, enquanto nos parece cada vez mais que a única resposta é a autodestruição. Nos parece que a noção de “céu” e “fundo do poço”  é invertida, porque quanto mais nos aproximamos do fundo do poço, mais livres ficamos, e quanto mais alto voamos, mais presos estamos. Eu quero o fundo do poço, não quero nada que me prenda, que me impeça, que me deixe preguiçoso.

Eu quero o fundo do poço porque é o que me define. Não sou o colégio onde estudo, a disciplina que me saio bem, não sou quanto dinheiro gasto numa noite, não sou o carro que meu pai dirige nem o smartphone que ele me deu. Sou toda a massa de merda ambulante desse mundo. Essa é minha vida, essa é nossa vida, terminando um minuto por vez.

Se me perguntarem quem eu sou, abdico do meu nome, da minha casa, do meu espirito, sou apenas o sentimento de rejeição do Jack, sou apenas a bile na garganta do Jack, sou apenas o sentimento de ódio do Jack.

Se me perguntarem a resposta certa, digo que não sei, mas que sei todas as respostas erradas.

Eu sou Tyler Durden, e você me conheceu numa época muito estranha da minha vida

3 comentários sobre “Mas não somos

  1. Achei seu blog hj, por causa de um post sobre o CEFET que vc fez AUHAUHA muito foda seus artigos. “Se me perguntarem quem eu sou, abdico do meu nome, da minha casa, do meu espirito, sou apenas o sentimento de rejeição do Jack, sou apenas a bile na garganta do Jack, sou apenas o sentimento de ódio do Jack.

    Se me perguntarem a resposta certa, digo que não sei, mas que sei todas as respostas erradas.

    Eu sou Tyler Durden, e você me conheceu numa época muito estranha da minha vida”, muito foda esse trecho.

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