Subversamente e politicamente correto

O tema da redação da UFES esse ano foi piada. Puta que pariu, que tema dos infernos. As professoras passam a vida toda falando pra gente que os temas ocorrentes nos vestibulares geralmente são temas ocorrentes no dia-a-dia, grandes acontecimentos globais, mudanças recentes no cenário político, mas aí vem um elaborador das provas e pensa “Pra que eu vou perder meu tempo com isso, poe qualquer merda ae e vamo beber!”, e logo depois coloca piada como o tema central e vai tomar uma boa cerveja com os amigos.

E a gente se fode nesse meio.

Até que é um tema interessante, a pergunta central foi: “Em sua opinião, uma piada deve conhecer limites éticos?” (tá, não era isso, mas esse era o coração da pergunta). É um tema interessante, faz a galere pensar e talz, mas não foi uma coisa para a qual eu tenha me preparado. Aí eu fiz um texto naqueles moldes imbecis que os corretores adoram, e deixei o texto “legal” pra fazer aqui. Então, aqui vamos nós.

A piada é um gênero textual interessante porque é marginal, é subversivo, é incorreto. A piada explora pontos que a sociedade quer excluir de suas conversas, ou ao menos mascarar. Ela está lá quando falamos de sexo, preconceito, política, loiras burras, fãs de crepúsculo, pobreza, etc..

Esse é o grande trunfo da piada, é mexer na ferida, fazer a gente pensar sobre essas coisas que nossas mamães nos repreendem por citar no almoço em família. Mas eu acho engraçado como os pseudo-intelectuais adoram algo que faça a galere pensar mas se arrepiam quando tem uma piada preconceituosa no meio.

Quando fazemos uma piada preconceituosa, não estamos ajudando a reforçar um preconceito, a gente ta pondo a pessoa pra pensar acerca dele. Quando você fala que “A melhor forma de entreter uma loira é dando a ela um papel escrito ‘vire’ dos dois lados”, o primeiro pensamento da pessoa será provavelmente “(*Risadas*)Poxa, isso é exagero”. Pode não ser uma graduação em ciências sociais, mas já é um começo.

Já que estamos direcionando esse texto a pseudo-intelectuais, existe uma frase (atribuída à Moliére e que eu não sei porque eu disse na redação que era de Dante Alighieri) que nos ajuda a entender um pouco mais esse raciocínio: “Ridendo Castigat Mores” , que tem algumas traduções diferentes, mas que convergem para uma que eu achei interessante: “Rindo corrigem-se costumes“. Então, quando ridicularizamos algumas situações, podemos ver que elas não precisam ser ridicularizadas para serem ridículas. E quando temos uma coisa ridícula, temos que consertá-la, né?

Por isso a piada não pode conhecer limites éticos, não pode conhecer o mal gosto. Se George Carlin achasse que as “7 palavras que não podem ser ditas na televisão” não pudesse ser ditas em lugar nenhum, talvez todo o humor de crítica social não existisse nos moldes que existem atualmente.

Talvez nem mesmo Chris Rock chegasse um dia  abrir a boca pra falar de racismo, e talvez isso nos privasse de um dos melhores seriados de comédia atualmente.

Assim, podemos ver que a piada não é puramente maldosa, ela só é perversa, mas tem sua necessidade. E querer acabar com as piadas preconceituosas e de cunho não-ortodoxo é querer censurar a sociedade. E lembramos o que aconteceu na ditadura quando censuraram a galere né?

Tá, lembramos porra nenhuma, nem eu nem você éramos nascidos na época, a gente sabe porque contaram pra gente, mas dá na mesma

O que eu acho mais incrível, é que mesmo esses pseudo-intelectuais riem de piadas subversivas, só que geralmente quando estão fora de sua realidade. Todo brasileiro ri de uma piada sobre a masculinidade decaída vinda d algumas partes da antiga América espanhola, mas quando alguém faz uma piada falando sobre o seu estado, muitos se inflam pra mandar o meso discurso manjado de que “Preconceito é nojento, que é por causa de gente assim que a sociedade está nesse pé que está etc, etc, mimimi”. É a velha história de madeira no rabo dos outros ser algodão…

Agora, se você realmente acha que piadas politicamente incorretas são desprezíveis, tenho aqui a indicação de um site que você achará excelente

E que Nimb role bons dados para você!

5 comentários sobre “Subversamente e politicamente correto

  1. “Galere” é uma expressão muito gay, mas quando eu imagino vc dizendo-a, HG, fica ainda mais gay. Enfim, gostei do texto. Que bom que voltou a atualizar o blog.

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  2. “Galere” é uma expressão muito gay, mas quando eu imagino vc dizendo-a, HG, fica ainda mais gay. Enfim, gostei do texto. Que bom que voltou a atualizar o blog. [2]

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  3. Eu lia esse Blog antes, tem até uns comentários meus por aí, acho deveras interessante. Faz um sentido danado isso de dar ênfase à verdades que a sociedade reprime.

    Em sumo, gostei pra caramba do texto. Especialmente da frase citada.

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