O fantastico mundo falístico

A primeira vez é sempre inesquecível, já dizia American Pie, a bíblia adolescente da atualidade. Assim, a primeira vez que eu fui num sex shop provavelmente ficará na minha memória até que o Alzheimer venha apagar do meu disco rígido. Ou pior, até que o Alzheimer venha apagar isso do meu disco rígido.

Os grupos de pessoas normais geralmente fazem amigos secretos no fim do ano, geralmente com a desculpa de comprar qualquer lembrancinha barata e esperar que a pessoa que o tirou venha com um mega-presente fodão comprado fora de liquidação e que satisfará todas as necessidades pendentes que o 13º não conseguiu suprir.

Mas eu já falei aqui que a minha turma não é convencional. Então resolvemos que não faríamos amigo secreto no fim do ano porquê tínhamos vestibulares tochados em nossos respectivos ânus até arder. Jogamos para a segunda semana de janeiro, quando terminaria essa saga dos sete infernos. Além do mais, resolvemos incrementar um pouco, além do amigo secreto, faríamos um “amigo da onça” ou “amigo sacanagem”, cujo único objetivo é dar um presente para constranger nossos coleguinhas sem que isso nos possa causar alguma retaliação futura.

Pois é, adivinhem quem foi o maior defensor dessa idéia? Higór, eu tava muito concentrado nessa hora fazendo sabe-se lá o que no computador. Então, sorteamos os papeizinhos e la fomos nós arquitetar nossas artimanhas para deixar nossos companheiros de cela com cara de toba amassado.

Por incrível que pareça, tive dificuldade em escolher minha sacanagem. A pessoa que eu tirei é muito desinibida pra alguma coisa a deixar com vergonha fácil, então fiz o que todo mundo que quer sacanear alguém e não tem idéias faz: fui num sex shop.

Nunca tinha ido num sex shop, até porque minha vida sexual é mais parada que açude pernambucano no verão (poderia dizer açude sertanejo, mas Fernando Sorocada, Michel Teló e cia estragaram com essa palavra e deixaram todos os moradores do sertão com cara de mocinha criada com vó a leite com pera e ovomaltino). Então, óbvio que eu não sabia o que esperar de lá e tive que apelar pra ajuda das amigas, que ano passado já tinham ido a esses estabelecimentos putarísticos. Fomos em 3, eu e mais duas amigas.

Ao adentrar no recinto, a primeira pergunta da mulé foi: “Vocês são de maior né?”. Óbvio que ela não tava perguntando se eu era de maior, mas perguntando se as duas eram de menor. Duvido que ela achasse que eu, do alto do meu metro e oitenta e cinco fosse menor de idade, mas aposto que ela pensou que eu era uma espécie de pedobear depois da gripe pelo metro e sessenta das duas.

Finalizado o mini-interrogatório e, segundo a expressão que a vendedora adotou, o próximo pensamento dela foi que nós íamos fazer um menáge. Caso você não saiba, existe uma progressão para a quantidade de pessoas envolvidas na putaria: uma é masturbação, duas é sexo, 3 é menáge, 4 é swing e, a partir de 5, é caracterizado suruba. Então, a mulé pensou que a gente ia pra farra.

Quando ela entrou, depois da gente olhar meia dúzia de itens a mulher perguntou : “Pra quem é o presente? Se vocês falarem talvez eu possa dar uma ajudada.”. Esclarecemos a situação e a mulher começou a nos esclarecer sobre o mundo da putaria. Mostrou tudo, desde pirombas de plásticos até coisas que eu só vi na internet achei que só fosse ver em puteiros da praça da luz vermelha no dia que eu fosse pra Amsterdã:

E como tinha coisa que eu só tinha visto na internet , acho que isso irritou um pouco a vendedora, visto um comentário ácido que ela soltou no fim, quando eu não sabia o que era alguma coisa (“Cadê, cê não viu isso na internet não?”).

Aliás, a vendedora era muito simpática. Isso é problema, ninguém que fique no meio de jerebas de borrachas,  estrovengas de plástico king-size black editions, calcinhas que passam entre os dentes facilmente e balões em formas de trozobas não pode esbanjar simpatia, não pode tratar aquilo como o ato de escovar os dentes. Mas ela tinha de ser assim.

Assim que a gente ia adentrando no mundo da putaria mais as bochechas das meninas ficavam vermelhas. Comentários como “Tem coisas que é melhor não saber.” eram constantes. Comigo foi diferente, quase tudo aquilo que tinha ali eu já conhecia de internet (já falei como minha vida sexual é parada né?), mas a mulher quebrou minhas pernas com o comentário da lingerie.

Eu estava olhando as lingeries, e uma lingerie de colegial me atraiu. Comentei em voz alta, e a mulher, ligeira como uma cobra, sedenta por deixar seus clientes constrangidos para que eles comprem por vergonha, disse: “Aí, já tá pensando nele, se for comprar pra ela, tem que comprar uma masculina pra você usar!”. Logo que ela disse isso, lembrei de um filme, que um maluco veste uma lingerie ridícula:

E me imaginei vestindo-a e fazendo uma dança desastrosamente sexual. Desculpe se você estava comendo, mas tenho que contar os fatos assim como eles ocorreram. Óbvio que eu fiquei constrangido ao extremo quando me imaginei saracuteando com essa sunga, e rapidamente como um lutador de wingchun recoloquei a lingerie na arara e virei-me para olhar um vibrador de mamilos (sim, é novidade pra mim também) como se nada tivesse acontecido.

Depois dessa vergonhosa atuação, agilizei minha escolha. Não podia ser nada muito caro (nesse caso escolheria um jogo de argolas cujo pino tinha a forma de, adivinhem, de uma manjuba que brilha no escuro), nem nada sem muito requinte (um simples guardanapo com uma piroca desenhada ficaria muito aquém de minha criatividade para o mal), então, achei um presente que daria uma apresentação legal: uma bexiga que, ao ser enchida toma a forma de uma juruponga cuja “falange” culmina na boca de quem o enche.

Agora é esperar chegar a data do amigo secreto e aproveitar a bagunça.

E que Nimb role bons dados para você!

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