Trote – versão Higor

Então né, há tempos eu esperei pelo trote, na certeza de que teria uma boa história pra contar. E acabou que arrumei uma.

O trote em si começa bem antes do momento em que se entra na faculdade. A agonia de esperar pelo início do que é descrito como “a melhor fase da vida de qualquer pessoa” já te deixa sem sono. É um misto de expectativa e medo de voltar de lá sem um braço, ou com seus padrões morais agredidos.

Mas a coisa não é tão tensa quanto nesses exemplos.

Antes do meu trote, houve uma aula inicial de apresentação e tal (com os veteranos batendo na porta, chamando o nome do professor e falando pra ele liberar os “bixo” logo). Depois da aula, os veteranos trataram de inscrever em nossas faces “bixo”. Fomos então conduzidos pro lado de fora da universidade, de mãozinhas dadas em fila. Linda a cena.

Feito isso, sentamos lado a lado na calçada, clamando por misericórdia, para que os indivíduos dominantes tivessem piedade de nossas almas. Vieram com um boné, arrecadando grana dos calouros. Vi o pessoal dando um, dois reais e procurei dinheiro no bolso. Achei uma nota de 10, e mais nada. Foi o que tive que pagar pra ficar com meu cabelo intacto (não que esse era o acordo, mas eles viram a nota, ovacionaram e me largaram de lado). Pelo menos não fiquei que nem o Megamente, né Agagê?

Um maluco do meu lado que sobrou. Fizeram uma cruz no cabelo dele.

E então veio o maldito copo roxo. Vi a algazarra aproximando-se pela minha direita, tentando identificar o que ocorria. Um copo descartável com tinta de caneta, que os bixos tinham que bochechar E CUSPIR NO MESMO COPO. E assim o copo seguia.

Ah, eu era algo entre o décimo e o décimo quinto da fila, aliás.

Bochechei o trem e cuspi, e o copo foi passando fila afora. Cuspi roxo pelas 2 horas seguintes. Crianças, se vocês quiserem provar alguma bebida exótica, não recomendo tinta de caneta.

O trabalho mesmo foi depois, pra tentar tirar a tinta da boca. Dentre os químicos utilizados pra remover a desinfeliz, estavam pasta de dente, detergente, antisséptico com álcool, álcool, sabonete e xampu. Fora que perdi uma escova de dentes, pra no final não sair nada. E o mais estranho de tudo é que milagrosamente, no outro dia, minha boca amanheceu limpa. Acho que as paredes do meu estômago devem estar com uma decoração nova.

Mas enfim, voltando ao trote, depois da degustação de líquidos tingidores, veio a passagem de moeda de boca em boca. De início, era uma moeda de 25 centavos, uma tarefa perfeitamente executável. Porém, caso a moeda caísse, o desafio continuaria, só que com uma moeda de um centavo.

E eis que eu deixo a bendita moeda cair. E o elemento do meu lado, pra quem eu passaria a moeda, não era uma fêmea. Pausa pra a zoação que eu sei que cêis vão fazer.

Passei a moeda, vieram os maluco com a 51. Perguntavam “qual o seu nome?”, e a gente tinha que responder “Bixo!”. “Qual seu apelido?”, “Burro.” era a resposta. Depois disso, eles entornavam alguns consideráveis mililitros de pinga na boca. Eu, porém, com 20 anos de praia, segui a dica de um amigo e falei que tava tomando remédio e que não podia beber. Eles perguntaram “Qual remédio?”, eu “Roacutan.”. E então me deixaram em paz.

O segundo até se intrigou com o fato de ter bastante gente tomando Roacutan ali, mas enfim, passaram pro próximo. E eles não iam me largar se eu só dissesse que era crente. Contraditório, tive que mentir, err.

Terminando a sessão cachaça, teve polícia tirando a galera da rua, porque tavam tampando a passagem dos carros, teve pedágio que eles mandaram alguns bixos fazer depois que a polícia foi embora, do qual eu me safei por estar trocando umas ideias com os veteranos meio-bêbados, teve baculejo na outra vez que a polícia passou, baculejo este no qual eu não estava mais presente, pois por graça divina, saí à francesa e vim pra casa mais cedo. Fiquei sabendo depois, de um maluco daqui do pensionato que levou o baculejo.

E assim, o dia foi salvo graças às meninas superpoderosas.

To tendo aula normal já. Revisando a matéria do IFBA. Aliás, obrigado IFBA , que apesar de ser o que é e de nele ter acontecido uma greve que quase me impediu de entrar na universidade, me deu uma ótima base e me deixou alguns passos à frente da maioria, o que me permite ter que estudar menos e ter mais tempo pra morgar em casa, tocando ou jogando.

E tenham um bom dia.

Um comentário sobre “Trote – versão Higor

  1. Onde lê-se “morgar em casa” leia-se agora “jogar todos os jogos existentes na face da terra, baixar tudo que a imaginação permitir, e dormir algumas poucas horas por dia!”

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