Dia dos namorados

Sábio foi Chris Rock, que teve a brilhante idéia de colocar na TV a sabedoria universal masculina sobre essa famigerada e dispendiosa data:

Eu aprendi muito cedo que o dia dos namorados não é um dia para casais, é um dia para as mulheres. Se uma mulher aparece de mãos vazias na porta de um homem, nada demais. Agora se um homem aparece de mãos vazias, seria melhor não ter aparecido.“.

Depois de observar, viver, aprender e discutir muito essa questão, eu cheguei na reposta que eu sempre chego: eu estava certo. É desse jeito que a banda toca mesmo, e parece não haver muito que se possa fazer quanto a isso. Porém, isso no fim das contas pode ser uma coisa boa, mesmo que não seja pro bolso. Isso gera argumentos.

O mais básico deles é: se é pra gente pagar a conta, pra que diabos serve a igualdade homem-mulher? Porque as mulheres lutam tanto por salários iguais se não é pra pagar a conta? Geralmente, quando se usa esse argumento, outro argumento pode ser puxado por cima dele (no geral, enquanto a mulher com quem você está discutindo fica com cara de tacho e gagueja, ou grita pra sobrepor a voz à inteligência): então já que não é pra haver igualdade o feminismo luta para a sobreposição do gênero feminino ao masculino? O feminismo moderno estaria querendo se tornar um femismo?

No geral, quando conseguem reunir lógica suficiente para argumentar, elas rebatem com o clássico: “Mas pagar a conta é cavalheirismo, é pra mostrar que você se importa com ela.”, o que infere que elas realmente cagam e andam para seus respectivos pares, e que no geral se importam mais com uma conta paga do que com a difícil labuta do dia-a-dia que é manter uma mulher satisfeita, ou seja, dizem que elas são o centro do universo e que foda-se a gente. Ironicamente, ao tentar contra-argumentar elas basicamente corroboram o argumento anterior.

Porém vocês perguntam: “Então você não paga conta, não faz gentilezas, não trata as mulheres com quem você se relaciona sexualmente com distinção Agagê?”, e eu respondo: “Muito pelo contrário, eu, assim como 90% da população masculina, faço exatamente isso, e muito bem feito, por sinal.”. Isso porque melhor ter a errada garantida que a certa duvidosa, melhor seguir as regras (por mais imbecis que elas sejam) e ter o seu no fim das contas do que ser uma pessoa sensata e continuar na mão (sim, eu sei que seu namorado te ama e é o único diferente, então poupe os comentários com essa baboseira).

Por isso o dia dos namorados é uma data feminina. Os homens que se virem pra planejar tudo, arrumar tudo, serem criativos, inovadores, românticos e tudo, enquanto o único trabalho feminino é abrir as pernas. Isso quando eles agradam, porque se não agradarem ainda vão amargar o fim de noite sozinhos.

Digo isso porque já errei gafanhotos, já fiz tudo como manda a etiqueta, inovando, pesquisando, procurando, sendo respeitador, romântico. No fim das contas, acabei na mão, como muitos de vocês devem estar agora. Pelo menos aprendi a lição e aprimorei meu “don’t give a fuck”.

Deixe-me contar a história. Tudo começou depois de uns eventos que me levaram a gostar de uma menina (1º erro) e depois de outros eventos que me levaram a dizer isso a ela (2º erro) e por fim de mais alguns eventos que levaram-na a dizer sim (dando validade ao dito popular que dois erros fazem um acerto).  Assim, foi o mais próximo de um conto de fadas que eu cheguei na minha vida (e também o mais próximo do retardo mental), eu me sentia realmente bem.

Mas algum dia na sua vida você já viu alegria de pobre durar muito? Pois então, passado um tempo de rolo (pouco menos de um mês) eu decidi que era hora do passo seguinte (3º erro, que pode ser considerado como o 4º, o 5º, o 6º e o 7º também) e pedia-a para namorar. Como era de praxe em meu histórico de pedidos, tomei um puta de um não, mas averso à todas as possibilidades nada foi alterado.

Passou-se o tempo e a maldita data chegou. Seguindo a tradição/maldição, eu comecei um rolo pouco antes do dia dos namorados. Como nós não éramos oficialmente namorados (foco no “oficialmente”, que significa apenas que eu não posso colocar no facebook, porque ai de mim se eu experimentasse ficar com alguem…) ela disse que não queria presente do dia dos namorados. Seria motivo de festa, se eu não tivesse alguns anos de praia e soubesse que nem sempre deve-se escutar o que uma mulher diz, mas sim tentar absorver o que ela quis dizer. E lá fui eu comprar o presente.

Chamei minha fiel escudeira e consultora de assuntos femininos para sair comigo à procura de um presente fodástico. Passamos uma tarde inteira batendo perna no centro da cidade, entrando em todas as lojas (todas com preços absurdos), tentando decifrar o que ela poderia gostar. Por fim achamos um que parecia perfeito: um chaveirinho de par.

Nesse mesmo estilo, porém com um desenho diferente

Como no dia dos namorados não pudemos nos encontrar, segundo ela devido à doença que ela havia contraído (segundo minhas suspeitas, simplesmente para não ir mesmo), então entreguei no dia seguinte, assim não estaria desobedecendo-a e estaria agradando.

Chegando no dia derradeiro, entreguei o presente com o coração na goela, temendo pelo meu futuro sentimental (e um pouco pelo sexual também). Porém o coração voltou ao seu respectivo lugar (nas calças) quando eu vi o brilhinho nos olhos dela ao receber. Ela agradeceu, disse que eu era um fofo, mas que eu tinha perdido ponto por não ter feito o que ela tinha dito. Bom, um ponto ganho, um ponto perdido, tava na mesma, melhor garantir o zero a zero do que arriscar tomar um.

Então, passa semana, chega o feriado e ela some. Lógico que meu coração volta para a goela, meus músculos se retesam pelos 4 dias, que pareceram 4 quinzenas. Chegando na segunda de manhã ela vem falar comigo e me entrega de volta o chaveirinho. Evidente dizer que eu simplesmente não sabia mais o que fazer. Porém reuni coragem e perguntei o porque, motivo esse que foi muito, mas muito escuso: “Não to com cabeça para uma relação séria, e do jeito que você me tratava eu ia acabar repensando isso.”, o que basicamente queria dizer que ela me largou porque eu fiz tudo certo.

Basicamente, após todo esse texto, concluímos algumas coisas:

  1. Dia dos namorados namorando é uma merda
  2. A melhor coisa a se fazer é começar a namorar no dia 13
  3. Não há garantias nessa vida, na dúvida siga as regras
  4. Higór é viado.

E que Nimb role bons dados para você

2 comentários sobre “Dia dos namorados

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