O grande desfecho

Fui criado numa gray area temporal. Os anos 2000, nos quais minha personalidade se desenvolveu (já que ela se formou nos longínquos anos 90), não teve muitos fatores cultural muito marcante. Não tivemos mamonas como o começo dos 90, nem raimundos como a metade/fim deles, não tivemos Ferris Bueler nos dizendo para relaxar q curtir a vida adoidado, não houve hasta la vista para ninguém, é uma merda sem grandes marcas registradas.

Porém houve um fato, um conceito, uma trilogia de filmes lá de 99 (mas que está mais pros anos 2000 do que pra década de 90), uma torta de maçã que fez com que não só a minha, mas a cabeça de várias criaturas pré-púberes chegasse no estágio em que está hoje. Óbvio que falo da bem sucedida série de filmes American pie.

Aposto que muitos que estão aqui a ler neste momento tem pelo menos uma história a contar sobre esse filme. Ou conseguiram o VHS/DVD com um amigo e se esgueiraram de madrugada, por conta da mãe conservadora, para assistir, ou a mãe conservadora entrou no quarto bem na hora em que um belo par de peitos era exibido na tela (acredite, comigo isso aconteceu, porém não foi minha mãe, foi uma monitora do encontro de jovens da igreja, não perguntem).

Como pode ser percebido pelo parágrafo acima, as mães não simpatizavam muito com o conceito desses filmes, afinal peitos eram uma visão constante neles, assim como apologia ao consumo de álcool excessivo e prática de sexo tresloucada e irresponsável, um òde aos maus costumes. Em suma, para aqueles incautos e preconceituosos, já prontos a odiar qualquer filme onde apareça um joelho descoberto, American pie pode ser a verdadeira bíblia da indecência.

E era, mas não era apenas isso.

Isso pode parecer contraditório, alguém dizer isso depois de ter escrito esse texto, onde comparo American Pie à Crepúsculo, mas não entendam mal, eles apenas tem um aspecto em comum, o que para por aí. Enquanto Crepúsculo ensina o quão bom e crucial é ter um namorado, American Pie nos passa uma gama de valores fantástica.

A primeira lição que American Pie nos ensina é que a vida acontece fora da sala de aula. Você pode  estudar como um louco, passar em todas as disciplinas, mas a vida não se resume à isso. Ensina-nos que as experiências que se adquire fora da sala de aula, desde ir em festas até fazer uma viagem, são tão importantes quanto suas notas.

A segunda lição que os filmes nos ensinam é que não importa o quão doidos, retardados, medrosos ou defeituosos sejam seus amigos, eles são seus amigos e no fim das contas você vai acabar tendo que contar com eles e eles com você, portanto eles devem ser valorizados acima de qualquer coisa, ou no jargão internético: “bros before the hoes“.

Depois, o filme nos ensina o valor da família. O filme mostra para nós como um pai, uma mãe,  mesmo sem jeito, mesmo quando colocado sob situações para as quais ninguém é preparado, se esforçam, se desdobram para nos tornar pessoas melhores a cada dia, para nos dar do bom e do melhor, para evitar que passemos por necessidades, angústias, sofrimentos e a porra toda. Nos ensina a ser gente grande.

E a última mensagem que o filme nos passa, e consequentemente a central, é que todos somos eternas metamorfoses, e que o que é o melhor a se fazer hoje pode não o ser amanhã, nem tampouco o melhor para uma pessoa é o melhor para todos. Hoje pode ser necessário que você não se envolva com ninguém, porém amanhã pode ser crucial ter alguém do seu lado. Isso é a idéia básica da aceitação, é o básico saber que todos somos diferentes e que cada um tem uma visão e uma opção diferente. Se na lição anterior falávamos sobre ser gente grande, aqui falamos sobre ser gente.

Depois disso, depois de anos e anos vendo e revendo os filmes (e se decepcionando com os 4 últimos),  depois de tempos seguindo o Stifmeister  lifestyle, percebemos que crescemos, rimos, choramos, nos apaixonamos e principalmente nos identificamos com essa série.

E caso você não tenha vertido lágrimas másculas (ou femininas, caso seja o caso) a ver American Reunion, envergonhe-se jovem, você não tem nada na cabeça.

E que Nimb role bons dados para vocês!

Um comentário sobre “O grande desfecho

  1. Excelente filme, que indiscutivelmente ajudou a propagar o comportamento promíscuo de toda uma geração.

    Pena que a geração mais nova que nasceu há partir de 95/96 não tenha vivido o apogeu disso. Aí o que temos hoje são um bando de juvenis de 15 anos no ensino médio sem quaisquer habilidades e resquícios pegatísticos e sacanageiros.

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