Fiz meus melhores amigos jogando bola

Não adianta, pode vir com um milhão de fotos no facebook, podem vir milhões de intelectualóides, e até intelectuais de verdade. O próprio Marx pode descer da terra em todo esplendor e glória numa nuvem voadora, sentado à direita de Goku todo-poderoso, que ninguém vai me convencer que o futebol é o mal da nação.

Está incluído no novo pack de medidas poser-anti-burrice uma parcela de críticas ao futebol. Se a polishop vendesse esse pacote nos seus programas intermináveis, provavelmente esses seriam os modelos escolhidos para aparecerem no comercial:

Ligue agora e compre já o Super Tornado Vibrator 9001! Com ele você fala mal do governo, critica a corrupção e a burrice do povo brasileiro enquanto se exercita!

E é assim todas as quartas, sábados e domingos, a timeline do facebook se enche de gente reclamando como o povo brasileiro é burro, como “enquanto eles te exploram tu grita gol” e como o futebol é a viseira da nação. Lógico, falam isso quando o time do coração delas não está jogando, ou no intervalo da novela das 8, porque o Baêa é o Baêa, e ninguém é jegue pra ficar na curiosidade de saber o que vai acontecer com o tornado.

Mas comigo não, eu adoro futebol e tenho orgulho de dizer isso.

Por outro lado, tenho minhas ressalvas a respeito do futebol da forma como é exibido. Do modo como é exibido na televisão, como é comentado nos botecos, nas filas dos bancos, parece que o futebol só tem duas facetas: o grande glamour da elite dos times das capitais e o futebol como mecanismo de ascensão social de meninos pobres de periferias ajudados por projetos sociais.

Mas a realidade de verdade não é assim. Não sei como os publicitários das marcas de material esportivo não se atentaram para isso ainda, mas a realidade é que grande parte do futebol praticado no país é de peladas, que são coincidentemente a massa consumidora de material esportivo.

É lá que estão todos os barrigudos pernas-de-pau, todos os sedentários preguiçosos o suficiente para fazer uma academia que precisam de uma prática esportiva para desencargo de consciência. É lá que surgem grande parte das histórias contadas para os filhos (se você acha que pescadores mentem, espere para ver jogadores de futebol….) e lá que surgem as melhores amizades.

Digo isso porque o futebol tem a mágica de unir as pessoas. Enquanto que um fracasso em qualquer outro lugar pode acarretar vergonha e embaraço, e quiçá uma ruptura nas relações, no futebol um fracasso (uma queda, uma bola no meio das pernas, um gol perdido na cara) servirá de história e acarretará risadas por um bom tempo.

Assim tenho propriedade para afirmar que meus melhores amigos eu fiz nas quatro linhas. De lá saíram grandes histórias, grandes decepções, grandes risadas, grandes lances, péssimos lances. Mas acima de tudo, saiu uma coisa que nenhum intelectualóide poderá jamais negar: saíram forças para lutar contra o monstro do dia-a-dia.

E eu, na qualidade de indivíduo, enquanto tiver forças, amarei o futebol de todo o coração. Mas não me limitarei à televisão não, amarei o futebool e abraçarei todos os aspectos que ele assume.

E enquanto eu viver, gritarei:

Sou Palmeiras!

Sou Baêa minha porra!

Sou BC2FC!

E que nimb role bons dados (e ótimos passes) opara vocês!

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