Rapidinhas da virada

Poisé negada, o ano tá chegando ao fim e eu não escrevi porra nenhuma. Foda-se. Aliás, do pouco que que escrevi, eu também não falei quase nenhum palavrão. Novamente, foda-se. Não amadureci, não perdi a graça, continuo a mesma merda de sempre, só um pouco mais estressado e com o fígado um pouco mais estragado.

Agora que parei percebi que haviam muitas histórias a se contar, e algumas poucas que vocês poderiam ler sem me achar um monstro sem coração, desgarrado da sociedade, tomado pela irresponsabilidade universitária . Sim, essas histórias existem, mas estão retidas nas mesinhas de bar e, quem sabe, janelas indiscretas de conversas no facebook. Não tenho problema de conta-las, mas joga-las aos quatro ventos é, no mínimo, burrice.

Sem mais delongas, vamos ver o que temos na cachola.

No começo do ano, consegui cortar a mão e não perceber, foi quando finalmente vi que o álcool pode alterar todos os seus sentidos. Foi durante a primeira festa que participei em minha nova residência, na qual pusemos garrafas de cerveja em uma piscina de 3000l e cobrimos com gelo. Como bom bixo, fiquei de garçom a noite inteira. Lá pelas tantas, alguém fala “Ei, sua camiseta tá suja!”, quando vou olhar, a camiseta tava melada de vermelho, vermelho esse que eu logo caracterizei como sangue, e logo vi que se tratava do meu sangue, proveniente da minha mão, cortada em muitos pontos.

Aparentemente tinha cortado a mão num casco de cerveja quebrado dentro da piscina, que a essa hora da noite já tinha uma boa altura de água gelada, água essa que deixou minha mão semi-dormentem. Além do mais, 75 caixas de cerveja numa festa, óbvio que eu teria que tomar algumas e ficar um tanto quanto “alegre”, de modo que alguém poderia ter me dado um tiro na mão que pra mim ia parecer coceira. Resultado: perdi uma camiseta, uma das poucas brancas que eu tinha, e que faria muita falta naquele calor de suvaco capirotesco que faria até chumbo derreter.

Mal sabia eu que esse calor capirotesco se tornaria um frio sibérico em poucos meses.

Eu, baiano nato, portussegurense de fato, acostumado a usar moletom aos 25 graus, estranhei a primeira vez que fizera menos de 20. Porém de nada reclamei, apenas coloquei meu moletom branco pelo qual tinha tanto apreço (até ter que lava-lo eu mesmo e descobrir que o motivo pelo qual omo é um sabão em pó melhor do que os outros é que temos amigos que trabalham na unilever, apenas)  e saí na rua, ao contrário das pessoas acostumadas ao frio, que acabavam de colocar camisetas.

Foram meses difíceis, os primeiros nos quais eu tive de pedir dinheiro extra para minha mãe e adquirir roupas extras de frio (dois gorros, dois pares de luva e uma calça de moletom), e o pior de tudo, meses sem banho.

Para aqueles que dizem que europeus são sujos por não tomar banho todo dia, gostaria de dizer que vocês são pseudo-nacionalistas e que o tipo de pensamento culturalista de vocês é quase fascista (lei de Godwin na veia). O fato deles não tomarem banho está unicamente atrelado ao fato de que quando se tem um clima frio e seco, você não transpira facilmente e passa o dia inteiro com roupas cobrindo 90% do corpo, logo não precisa de um banho pois não tem contato com os maiores vetores de contato com sujeiras. E se você mesmo assim tem “nojinho”, sério, vá se foder, você beija na boca, é algo muito mais sujo que isso.

Porém, uma coisa me incomodou logo de início. Vide as universidades americanas, aqui há um orgulho muito grande em usar itens temáticos da universidade, tais quais camisetas, canecas, broches (eu mesmo uso uma pulseirinha daquelas de borracha da faculdade todo o tempo) e moletons. Os moletons são os mais legais, por serem muito vistosos e, em geral, bonitos. Porém, fudido como é meu curso, ele não possuía moletom próprio, no máximo um moletom que a atlética fazia, mas que só tinha estampado “computação”, que dá calafrios em qualquer pessoa que faça todos os créditos que a engenharia de computação faz e ouça o clássico “Computação né? Mexe com informática? Faz ciência da computação? Formata meu pc?”.

Normalmente, o que qualquer cidadão faria no meu lugar é “Ah, que curso fodido da porra, não vou fazer nada pra esses descendentes de meretrizes não.”, mas minha teimosia me impediu. Decidi que o primeiro moletom exclusivo da engenharia de computação seria feito pelas mãos da minha turma, pensamento que logo mudou, visto que uma tartaruga era mais proativa que minha turma. Fiz a porra toda com a ajuda de um cara só.

O que eu não esperava era cair nas graças dos veteranos. Rapidamente eu já conhecia 80% deles, e quase todos me conheciam. Rapidamente eu já entrava nas rodinhas de conversa que eles estavam e até saí algumas vezes com eles. Pra quem mal conseguia falar com garotas 4 anos atrás, eu até que progredi um pouco.

Falando em garotas, não, não comi ninguém. Mas quem disse que a vida é uma stronda pura?

A stronda acabou no tusca. Depois de 4 dias de loucura, percebi que era hoje de focar um pouco mais em outras coisas. O resultado disso é que desde o tusca acabou, se eu saí em 4 festas foi muito. Fiquei mais caseiro, quase um velho de 19 anos.

Porém, o que eu não fiz de festa, consegui fazer no esporte. Finalmente algo a se dedicar de novo. Algo que não precise de horas e horas sentado numa cadeira com um livro aberto e uma interrogação na testa. Algo onde você pode simplesmente voltar a ser um animal testosterônico, alguém que fale com os pés e pense com o corpo. Futebol, puro e simples.

Engraçado que da rivalidadade entre a ciência e a engenharia de computação quase saiu pancada. Numa jogada de marcação duvidosa, na qual o juiz deixou que o jogo corresse, a bolsa sobrou para um colega meu, que prontamente fez gol. No calor do momento (leia-se “Na vontade de instaurar o panavuêro”), ele aproximou-se da face do outro e disse, num berro solene “XUPA BCC” (sim, em letras maiúsculas). Foi o bastante pra vir o time adversário inteiro fazer uma rodinha pedindo satisfações, apenas para ouvi-lo dizer, dessa vez em menor tom, “É isso mesmo, xupa bcc.”, como quem dizia “Sim, o céu é azul”. Feitas os devidos “deixa disso”, a partida tornou-se um verdadeiro campo de guerra. Caneladas descuidadas (e algumas bem focadas nas partes doloridas) voavam por todos os lados, encontrões de ombros eram mais frequentes que os palavrões, eu mesmo saí do jogo, o que, para quem me conhece jogando bolsa, significa injúria séria (basicamente tomei um chute na canela seguido de uma cotovelada na boca do estômago, extremamente carinhoso).

Óbvio que um time aonde eu participo não sairia sem a vitória, porém a grade de cerveja que estava apostada no início do jogo foi esquecida.

Acho que por enquanto é isso. Feliz natal atrasado, ano novo adiantado, um beijo na bunda e até segunda (quinzena de janeiro).

E que Nimb role bons dados para vocês!

Um comentário sobre “Rapidinhas da virada

  1. ôh ano produtivo>> Fiquei imaginando um cara na universidade pedindo pra galera se juntar e pedir moletons(que vcs ‘fariam’), é tpw meio que turma de ensino médio pedindo a camisa da turma. Sem preconceito, vou copiar sua ideia e falar com a galera lá da sala. Brinks^^.
    Como sempre as colunas do Classjokers me divertem muito.
    Obs: é impressão minha ou é só AgaGê que está postando nos últimos tempos?? Deve ser impressão, cara vcs demoram a postar(Sem pressão, só tô constatando os fatos).

    Bjs meninos.

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