O fim da internet

Estamos presenciando o fim da internet. Ou ao menos da internet como ela costumava (e devia) ser.

Todos os valores, os costumes, as idiossincrasias nas quais a internet foi moldada e cresceu estão sendo gradativamente esquecidos, apagados, e substituídos por imagens sem graça, piadas mais sem graça ainda e páginas que fazem o fundo do poço parecer uma tarde ensolarada nas Bahamas.

Somos um blog em extinção. Somos pessoas em extinção. Pense bem, quando foi a última vez que você viu um blog composto exclusivamente de textos nascer? Quando foi a última vez que você viu alguém como a gente quebrar a barreira dos seis meses? Qual foi a maior concentração de palavras que você leu na internet nos últimos meses? E quantas dessas letras estava fora de uma imagem?

A internet como mundo a parte, como mundo paralelo sumiu. Hoje ela é uma mera extensão da vida pessoal das pessoas. Ninguém cria nada, ninguém inova, apenas segue o fluxo interminável que a vida segue, com toda sua previsibilidade e chatice. Mas há um quê de estrelismo.

Amor não é suficiente (se é que ele ainda existe), sendo substituído pela simples exibição de momentos. Álbuns que antes levariam meses para serem preenchidos e viriam recheados de significados, hoje são lotados de mesmas poses em mesmos ambientes, e as memórias convertidas em comentários e curtidas. Parece ser mais necessário o registro do que a experiência.

Não há mais feeling, não há mais espera, tudo é imediato, tudo é em alta escala, mas qualidade é algo secundário. Pra quê esperar semanas para ler algo que te deixará pensando se você tem um chapolin sincero ou um sheldon piadista te mandando frases desconexas a todo momento? Pra que essas frases precisam ser, de fato, engraçadas se elas geram resposta no público? Zorra total é criticado a todo momento, mas ninguém descurte páginas de AAs.

Sonho com o dia (e se é sonho, nada é impossível) em que a onda retrô e o amadorismo hipster nos levem de volta a uma internet anônima, feita de discussões, a parte do mundo, onde não mais o visual é crucial, mas sim o espiritual, o intelectual, onde a despretensão impere e a necessidade de ser seja posta de lado.

Mas não existe uma garantia de futuro, a menos que Nimb nos role bons dados.

Agradecimentos especiais a por ter me inspirado.

2 comentários sobre “O fim da internet

  1. Seria muito melhor se a internet voltasse a ser um meio de escape artístico, onde todos criariam e nenhum copiaria, ou kibaria. Ainda existem muita originalidade via internet, mas o que sinto falta são de textos. Sites e blogs de textos, de crônicas, relatos pessoais, contos, o que for…

    Tenho o meu blog de textos (linkado no meu nome), mas nessa internet dominada por imagens do Willy Wonka com frases irônicas, sites de textos são fadados ao anonimato.

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