Pequenas lições da vida universitária

Já tem um ano e alguns dias desde que pisei o pé nesta terra. Dia 19 de fevereiro aliás, pra ser mais exato. Desde lá, vivi em um ano o equivalente a uns três. Vira e volta faço essa reflexão com o pessoal daqui.

Lembramos que já compomos músicas toscas, que já teve quem dormisse num vaso de planta, que já teve quem mijasse na lixeira da cozinha, que já teve quem entrasse em carrinho de supermercado no estacionamento, dentre outras milhões de babaquices e inutilidades já aprontadas.

Mas o que marca mesmo é o conhecimento ganho não só com as experiências fora do comum, mas aquele que vem com as coisas do dia a dia, de quando você sai da barra da saia da mãe pra cuidar das suas próprias coisas, lavar sua própria louça e roupas, pagar suas contas, se cuidar pra não ficar doente e etc. Nada de mais pra um ser vivo que é acostumado a se acostumar com as coisas como nós, macacos de polegar opositor e telencéfalo altamente desenvolvido.

Daí, por alguns meses, fui anotando uma coisa e outra, aqui e ali; pequenos cheats que boa parte da galera que tá na mesma situação partilha.

Por exemplo, nesta vida dura, aprende-se que pano de prato é algo versátil, e que pode servir tanto pra enxugar coisas, quanto como mousepad. Esta versatilidade estende-se a apoio pra prato quente, que não é lá tão novidade pra ninguém.

Aprende-se que a possibilidade de se reutilizar uma roupa é inversamente proporcional ao tempo que você dispõe para lavar uma outra.

Você aprende que um copo passa de “sujo” para “cristal”, só passando água.

Você nota que produtos Carrefour são, em geral, mais baratos que produtos de outras marcas, e que isso fará grande diferença na quantidade final de coisas que você pode levar quando sai de lá.

Você percebe que miojo não é tão ruim assim, ainda mais quando se analisa o seu custo benefício.

Verá que teu telefone, com o tempo, vai ter mais número de pizzaria e lanchonete do que de mulher.

Perceberá que pra beber água, copo não é algo lá tão necessário. Primeiro porque você vai ter que lavá-lo depois de usar. Segundo porque pra usar um, talvez não haja nenhum limpo, e daí você tenha que lavá-lo antes mesmo de usá-lo.

Também vai ver que a Sadia vende TODO tipo de coisa congelada. TODO mesmo. De unha de galinha a sarapatel.

Vai passar a usar o verbo “sobreviver” ao invés de “comer”. E vai notar que não é necessário mais do que duas refeições por dia para isto.

Mas nada que não se possa aguentar ou conviver com. Apesar de parecer e, guardadas as devidas proporções, ser um período sofrido, tanto eu quanto meus colegas partilham da mesma esperança: a de que um dia encheremos nossas barrigas sem pensar em quanto isso custará, ou que compraremos miojo Nissin Lámen de galinha caipira de verdade e não o miojo Carrefour. A de que poderemos beber água, cada gole em um copo diferente, sem se preocupar com ter que lavá-lo, ou a de que poderemos ter mousepads feitos para serem mousepads.

Digaê

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s