Engenharia é a nova medicina

Nota do autor: Esse texto foi feito pensando em você, você também e em você outro. Se você se sentiu ofendido com esse texto, pare e repense suas atitudes, nem toda crítica é destrutiva.

Para começar esse texto, vamos contextualizar. Tenho dois amigos que também fazem cursos na área de computação, um faz Sistemas de Informação e a outra faz Ciência da Computação. Nós três (faço Engenharia de Computação), formamos a santíssima trindade da falta de buceta (talvez não, porque um desses amigos é amiga e tem a dela pessoal, mas isso é uma discussão posterior). Eles dois cursam numa federal em minas e eu curso na UFSCar que, segundos os rankings da vida, tem um curso de computação superior (alguns rankings a colocam como melhor curso de computação nacional). Pra completar a cereja do bolo, a carga horária do curso de Sistemas de Informação é inferior à de Ciência da Computação, que por sua vez tem a carga horária inferior à carga horária da engenharia de computação.

Óbvio que sempre rolam umas brincadeirinhas do tipo “Ah, o curso de vocês dois está contido no meu”, que é prontamente respondida com um sonoro “Mas você bomba por semestre mais do que eu bombo no meu curso inteiro”. Seria divertido se isso não fosse levado à sério demais em alguns momentos.

Não me entendam mal, amo a engenharia, não troco meu curso por nada e pago preço disso. Perdi um ano da minha vida enfurnado numa biblioteca pra depois descobrir que essa seria a parte fácil, já estou viciado em café e meu histórico tem quase mais reprovações do que aprovações. Só acho que isso é básico, não estou fazendo nada a mais do que eu deveria fazer ao estar regularmente matriculado na engenharia de computação da Universidade Federal de São Carlos.

Basicamente usar a universidade/curso para auto afirmação é gozar com o pau dos outros. Legal que você passou num curso concorrido, legal que é numa universidade de respeito mas e aí, o que mais você fez? Quem construiu o nome da universidade foram outras pessoas, essas sim perderam varias noites estudando, se estressaram e merecem o crédito, dizer que você é foda simplesmente porque entrou numa universidade foda é como pegar carona com seu amigo e se gabar pelo carro dele.

Dizer que é federal/estadual é foda é cair numa cilada maior ainda. Já que sabemos que a universidade pública tem como foco te preparar para tudo, desde a carreira profissional até a carreira acadêmica, com o agravante que todos os professores são acadêmicos fodidos incapazes de entender que o aluno tem de viver para além da universidade. Em suma, se você não liga tanto pro lado acadêmico e quer ser apenas um bom profissional, talvez as federais até te atrapalhem no meio do caminho (basta ver que, em TI, a contribuição brasileira de maior peso veio de uma universidade privada).

A concepção desse texto é, na verdade, o resultado de longas conversas com esse amigo meu que faz SI (puta saco ficar descrevendo ele assim e não pelo próprio nome: Higór) . Ele tem a plena consciência que o curso dele é mais fácil que o meu, que a faculdade dele tem menos nome que a minha, porém ele atingiu o estado do “nirvana do foda-se”  mais rápido que eu e, ao invés de ficar se lamentando (enquanto eu ficava me gabando), correu atrás do prejuízo, aproveitou o tempo livre dele pra estudar e se dedicar a atividades extra-curriculares. Como resultado disso ele poderia hoje, se quiser, largar os estudos e trabalhar. Enquanto a única coisa que eu sei é organizar festa (e acreditem, eu estou melhor do que muita gente no segundo ano de engenharia, ao menos alguma coisa eu sei fazer).

É triste estar inserido nessa nova geração de engenheiros de 9gag. Ver que muitos de seus colegas de curso, de faculdade e de ramo passam menos tempo construindo coisas/entendendo como elas funcionam e mais tempo sentindo que estão num pedestal que, na verdade, está a muitos semestres de distância. Fazem engenharia pra poder cantar vantagem em rodinhas de conversa, usar isso pra menosprezar os outros, ter desculpa pra chegar em mulheres, e pra daqui 10 anos quando se formarem poderem voltar pra casa com o diploma de engenheiro debaixo do braço e o mostrar pra a avó.

E enquanto isso, bomba em desenho técnico, tsc…

Pra finalizar, utilizarei essa imagem tosca de facebook para lhes passar uma lição, companheiros de sofrimento:

“fazer” não se refere à engenharia.

Não confundam potencial com realização, pelo amor de deus.

E que Nimb role bons dados para vocês!

Digaê

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s