Hypnos e Thanatos

O dia fica mais longo pra passar e mais curto pra fazer qualquer coisa. As pálpebras pesam uma tonelada, o tronco já ultrapassou essa tonelada há semanas. As solas do sapato se gastam, você sente a fricção do chão com a sua meia e então não há mais meia nenhuma até que seu pé sangre. Você não tem forças pra sonhar, não tem forças pra pensar, só consegue tentar aprender tudo o que você não aprendeu no semestre inteiro. Você está oficialmente no fim do semestre.

As pessoas vivem alertando sobre o mal que o fumo causa, o estrago da bebida no fígado, pipocam contas mirabolantes na internet de quantos anos a menos você ganha se não se cuidar direito. Mas onde estão os estudos sobre o mal que um fim de semestre causa? Disso ninguém fala, só se fala que estudar vai ser bom pra você? Mas o quão bom? O que isso causa de impacto? Dinheiro? Fim de semestre é a consumação da venda da sua alma.

Cada noite que você perde no fim do semestre é uma semana a menos de vida, duas noites seguidas, um mês. Não existe esse indivíduo que não chegue em fim de semestre pensando em largar a faculdade e virar frentista (ou ao menos transferir pra engenharia de produção). Agora eu faço o seguinte questionamento: a faculdade não deveria lhe motivar? Não deveria ser algo que você acordasse com tesão de ir todos os dias? Afinal, universitários são a primeira etapa do futuro do mundo, é da universidade que saem as melhores mentes pensantes, os engenheiros mais perspicazes, os profissionais que salvarão vidas. As faculdades insistem em ir contra uma tendência do mercado de trabalho de prezar pelo bem-estar do trabalhador.

A grande verdade nisso tudo é que a universidade pública no Brasil é um navio afundando. Um modelo de universidade que contrata professores e aumenta o salário deles com base na pesquisa é uma furada desde o começo. Pergunte a qualquer amigo seu que estuda em uma, 80% dos professores realmente não dão uma aula bem preparada, não tem a mínima didática exigida de alguém que fica na frente de um quadro negro, não tem interesse no aprendizado dos alunos, estão ali apenas pra vomitar conteúdo no quadro, cobrar na prova o que eles não passaram nem perto na aula e, por fim, culpabilizar os alunos (que, segundo eles, “não estudam e só querem passar nas coxas”) pelo mal rendimento da turma.

Resta a nós, alunos, a tarefa de super herói que é dar conta do gazilhão de aulas que temos, fazer a magia do autodidatismo e fazer, para nós mesmos, uma aula mais didática do que a ministrada em sala de aula. Óbvio que isso não é fácil, afinal, dormir 8 horas em 3 dias é pra quase ninguém, mas não é algo que possamos escolher, diga-se de passagem. Enquanto isso, a gente sonha em ser rico (afinal, dinheiro é a única coisa que ainda move alguém em fim de semestre).

E que Nimb role bons dados para vocês (e hypnos, um bom sono)!

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