Top 5 – músicas com apologia a pobreza

Fala putada! Tão achando que a gente virou gente séria? Que só fica postando essas porra desses textos sérios? NÃO! Esse texto é um tapa na cara de vocês aí de Hollister, Abercrombie & Fitch, Gucci, que tiram foto bebendo red label na balada e se acham os fodões por conta disso.

Não é novidade pra ninguém aqui que eu sou pobre. Também não é novidade que isso não é algo que me impeça de viver minha vida na tranquilidade de sempre. Ok, eu reconheço, dinheiro é legal, compra uns lances bacanas, te salva do sufoco no fim dos meses, facilita coisa pra caralho, nó não entendo essa necessidade patológica da galera ficar exibindo e glorificando isso todos os dias na sua vida.

Passei minha pré-adolescência escutando esses raps gangsta. Dr dre, 50 cent, Ja-rule e afins. Isso é extremamente prejudicial pra um jovem em formação (por longos períodos da minha vida, minha existência se resumiu a um boné legal e caro), mas felizmente eu superei tudo isso. Porém, a quantidade de gente que não superou essa fase (simplesmente porque achou que isso não era um obstáculo a ser superado) é extremamente desoladora.

Quando eu vi que tinha um pessoal seguindo o mesmo caminho no brasil, seja no sertanejo universitário, com seus camaros amarelos, seja com o funk onstentação, com suas vidas lokas e seus plaquês de cem, eu achei que tudo estava perdido, que o futuro da grande industria pornograf fonográfica era fazer mais e mais apologia ao dinheiro como início e fim (e não como meio).

No interior de São Paulo existe uma gíria que expressa bem tudo isso: fitagem. “Fita” é a mesma “fita” de “É nóis na fita!”, que vem do tempo do VHS, onde, nas favelas paulistas, estar num vídeo (gravado numa fita VHS) era sinônimo de ser importante. Com a evolução natural da língua, fitagem passou a ser tudo aquilo que é arrumadinho, caro, feito pra exibir, “do bom e do melhor” (uso as aspas, porque isso é sabidamente falso, só ver aquela bosta de uísque que é o red label e todo mundo toma achando que é o néctar dos deuses, mas que só desce misturado com energético). Fita é aquele desinfeliz que quer mostrar que tem dinheiro, vestindo roupas pela etiqueta, comprando coisas pela marca, indo em restaurantes pelo nome e coisas afins.

Evidente que eu abomino todas essas coisas. Depois de ser viciado em rap gangsta, passei um tempo fissurado em raps nacionais. Entenda rap nacional como: “aquele som de periferia que, por algum motivo, caía na internet”, não pollo e afins (aliás, pollo é um nome que nao condiz com o indivíduo, a única semelhança entre o cantor e um frango é que os trabalhadores braçais que sustentam esse país comem no almoço). Esse tipo de som lida com a pobreza como algo bom, normal, ou apenas como um aspecto secundário na vida. Mas, convenhamos, o que sobra de sentimento e profundidade nessas músicas, falta de diversão, deboche, curtição (e as vezes uma dose bem aplicada de irreverência cura mais do que todo sentimento do mundo).

Pensando nesse aspecto e, parafraseando o juarez, CHEGA DE DINHEIRO, VAMOS FALAR DE COISA BOA!

Preparamos uma seleção que fazem deboche desse mundo de fitagem, dinheiro, uísque, abercrombies e toda essa merda que não tornam ninguém melhor ou mais feliz, não fazem ninguém um amante melhor ou nada do tipo. Um ode à pobreza!

5 – De leve: sem neurose

Um clássico desconhecido do rap nacional, é um ode básico à putaria sem compromisso, a básica satisfação dos desejos sexuais. O interessante é a introdução, aonde ele fala:

Vejo na capa de Caras

Neguinho cheio do dinheiro, esbanjando

Mó galera que tem aquela parada ali

É, mas eu não, to legal

Quero pouca coisa

E emenda com a primeira parte da letra:

Eu quero, gatinhas ras-

padinhas, sa-

fadinhas

sem calcinha, sem silicone, sem sutiã de alcinhas

Não preciso explicar mais nada.

4 – Gabriel Gava: Friorino

Aqui temos uma música feita para aqueles que escolheram a (ou foram escolhidos pela) vida no modo hard. É muito fácil pegar mina pagando bebida na balada, levando ela num carrão pra uma puta casa, mas até onde ela estaria interessada em você, e não no que você tem?

Dificil mesmo é fazer ela se interessar por você o suficiente pra copular no fundo de um fiorino, carro famoso por ser o veículo de transporte de trabalhadores honestos, cidadãos de respeito, famosos por seus trabalhos em mercados, mercearias e lojas de conveniências.

Pau no cu dos camaros!

3: Michel Teló – humilde residência

Mesmo eu achando Michel Teló sofrível (e uma versão feminina da barbie no inicio da carreira), tenho que reconhecer que ele prestou um serviço à sociedade quase inigualável nessa música ao diminuir as expectativas femininas em relação ao que vai encontrar numa residência masculina (e focar naquilo que realmente importa).

2: João neto e frederico – Lê Lê lê

Retiro o que disse sobre Michel Teló: isso sim é sofrível. Da tradicional família das músicas-onomatopeias (bará bará, tchê tchê rê rê e afins), essa música revela trechos interessantíssimos de extremo desapego e extrema auto-confiança (tem hífen essa porra ainda?), percebam:

Não tenho grana
Não tenho fama
Não tenho carro
Tô de carona

O meu cartão
Foi bloqueado
E o meu limite
Tá estourado

Sou simples,
Mas eu te garanto
Eu sei fazer o meu Lê Lê Lê

É quase um hino para nós, pobres esforçados que sabem fazer as coisas todavia são privados de mostrarem isso apenas por todo seu vestuário ser mais barato do que uma cueca de outros indivíduos (que preferem não fazer sexo porque transpira e tira o cheiro do seu perfume da Dolce e Gabanna, conhecido no meio dos pobres trabalhadores honestos como “fresco”).

1: Macklemore & Ryan Lewis ft Wanz- Thrift shop

A música que inspirou esse texto, conseguiu o inacreditável feito de achar um hipster estiloso. A música fala sobre brocar (ir muito bem, se destacar no baianês) nas baladas com menos de 20 dólares no bolso, comprando peças de roupas em brechós, além de ter os personagens de clipe mais engraçados que eu já vi na vida.

O que mais me impressiona nesse clipe são os versos:

They be like oh! That Gucci, that’s hella tight.
I’m like Yo! That’s 50 dollars for a t-shirt.
Limited edition, let’s do some simple addition,
50 Dollars for a t-shirt, that’s just some ignorant bitch.

I am one and six other people in this club is a hella don’t.

Que realmente nos fazem pensar: “As pessoas pagam caro numa camiseta para ter uma “edição limitada” e serem “exclusivos”, mas vão a festas onde outras tantas pessoas tem a mesma “exclusividade”. Não faz muito sentido mesmo..

Espero que, ao final dessa leitura, você tenha aprendido algo sobre desapego. Se não aprendeu, só tenho a lamentar por vocês, afinal, futilidade é um mal na sociedade né?

E que Nimb role bons dados para vocês!

Um comentário sobre “Top 5 – músicas com apologia a pobreza

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