Peculiaridades universitárias #2 – RU

Já falei sobre o RU em algum lugar desse blog, mas estou com preguiça de procurar o link. A única coisa que eu sei é que foi um texto insatisfatório, de apenas um tópico entre outros. Sendo uma parte importantíssima da vida universitária e, ao mesmo tempo alienígena para o resto da humanindade (se é que o universitário se enquadra na categoria “humano”), cabe perfeitamente aqui nas peculiaridades universitárias.

O interessante do RU é que ele é alvo de reclamações diárias e constante (as vezes até mais de uma por dia), mas a gente só percebe o impacto que ele tem em nossas vidas quando somos privados de utilizar seus benefícios (o que significa uma vez a cada dois anos, se você estuda em universidades federais).  Até então parece ok almoçar em lugares aonde não se morre de calor ou se come na roleta russa (1 chance em 6 de achar uma pedrinha no meio da comida), mas só quando você gasta 5-10 reais por refeição você vê que gostosa era aquela pedrinha.

Mas o que é, de fato, o RU? O RU é a sigla para “restaurante universitário” (também conhecido como “bandejão”, “bandeco” e afins), e é o que torna a vida universitária possível. É um restaurante que serve comida a preços irrisórios para universitário através de algum pacto com o sete-peles, magia obscura esquecida pelos anos e, possivelmente, métodos escusos de política (os famosos “subsídios”). Não nos cabe aqui julgar a validade de tais métodos, afinal são eles que possibilitaram-me sair da minha gloriosa Bahia e viver nesse lugar longínquo e esquecido do interior de São Paulo, através do preço de R$1,80.

Este preço, inclusive, é ponto de partida para inúmeras piadas, das quais a mais infame é: “A comida do RU não é ruim, é HMMMMMMM e oitenta”. E sim, a comida RU não é ruim, assim como miojo não é ruim, assim como a bebida das festas não é ruim, ruim é ter q pagar caro nas coisas quando se tem que viver com tão pouco dinheiro quanto a caixinha que sua mãe manda (lembrando que de 20 a 30% dessa caixinha é reservada para consumo alcoólico).

O preço do RU também é um número recorrente, uma espécie de pi racional, que serve de base para o estudo de muitas coisas, podendo ser considerada a base da economia universitária. Todo o cálculo de gastos é feito pensando em quantas refeições no RU você seria capaz de fazer com aquele dinheiro (“Será que eu tenho grana pra ir nessa festa? 30 reais? isso dá 16,6 RU$, é quase a semana inteira comendo…).

Por fim, só falta falar mesmo da comida, que apesar de ser, em teoria, o ponto mais importante do RU, acaba sendo apenas o secundário. A comida é média, tem dias que ela é engolível, na maioria das vezes é ruim, mas isso não importa tanto. Aliás, a variação da qualidade da comida segue um padrão, que podemos ver no gráfico a seguir:

Gráfico 1: qualidade da comida x duração do semestre

Grafico 1: qualidade da comida x duração do semestre

 

Esse gráfico apresenta uma função bem comportada, se fossemos descrever mais detalhadamente como ele se comporta, teríamos algo assim:

Grafico 2: qualidade da comida x duração do semestre

Grafico 2: qualidade da comida x duração do semestre

Sim, existem dias em que é mais gostoso comer no RU do que comer em casa, esses dias são conhecidos como “DIA DE LASANHA” aqui na UFSCar (o nome do prato varia de acordo com a universidade). Nesses dias, assim que sai o cardápio do RU (cerca de 10h da manhã ou 4h30 da tarde), os whatsapp começam a funcionar, as mensagens são trocadas, as pessoas postam no facebook e nenhuma aula depois disso rende o esperado. A inquietação é sentida no ar, quase virando eletricidade. A fila contorna o salão do RU e acaba descendo as escadas (em números isso dá mais ou menos GENTE PRA CARALHO). Quem não tem aula é esperto e almoça mais cedo pra evitar a perda da tão esperada refeição, quem tem acaba tendo que esperar, torcendo pra não acabar. É um dia atípico.

Por fim, a relação com o RU é igual gostar de quem não gosta de você: ruim com, pior sem. Nos resta apenas formar e esperar que esses dias se tornem nostálgicos, mas que essa nostalgia venha apenas quando estivermos de barriga cheia.

E que Nimb role bons dados para vocês!

Um comentário sobre “Peculiaridades universitárias #2 – RU

  1. Definiu perfeitamente o que é o todo poderoso bandejão na vida de um universitário: tudo. A única diferença é que na Uff é 0,70 centavos… Saudades do bandejão, até dos dias de almôndega e carne moída :'(

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