5 avisos pra você que quer fazer computação

Dias atrás, postei na minha conta no Medium um texto com o título: “5 conselhos pra você que vai ingressar no ensino público superior no Brasil“, onde tentei passar um pouco da minha experiência de 4 anos na faculdade para quem ainda está ingressando.

Eis que resolvo postar um texto seguindo a mesma métrica, porém escolhi esta bosta de site (que precisa urgentemente ter seu domínio renovado, aceitamos doações) para receber tanta sabedoria de quem já ultrapassa seu oitavo ano nos estudos formais dos computadores.

Neste momento vocês devem estar se perguntando o porquê da publicação em diferentes plataformas. Caso você seja um curioso, você deve ter percebido que tenho apenas dois textos em minha conta no medium. Isto ocorre porque, no geral, publico os textos mais “sérios” no medium, e este ultimo texto sobre o ensino público se propôs a ser isso mesmo: sério, engajado, motivador, inspirador.

O texto atual não tem nada disso.

O texto atual pretende ir nas vísceras, direto na jugular, no âmago do ser humano, pretende trazer à epiderme os fantasmas mais sombrios e amedrontadores e alertar a todos os estudantes do ensino médio brasileiro a fria em que eles estão se metendo quando escrevem “computação” na caixa de buscas do SISU.

Se você quer fazer computação e não quer ter sua convicção abalada, sugiro que você feche essa aba e nunca mais ponha os olhos nesse texto, eu realmente não quero que você faça computação.  Quero que você considere até as últimas consequências que a escolha desse curso pode acarretar na sua vida antes de fazê-la.

Quero que você seja feliz.

Se, mesmo assim, você ainda quer fazer computação, vamos aos conselhos:

1 – Você não vai fazer jogo porque é muito chato

É isso que você leu mesmo, se você está fazendo computação porque gosta de jogos, por favor, escolha outra carreira, vá ser feliz. Fazer jogo está entre os 5 piores campos de trabalho na área de computação, segue a lista (menor número, pior o serviço):

  1. Suporte
  2. Jogos
  3. DBA
  4. Infraestrutura
  5. Docência

Nós te entendemos, você joga desde que nasceu, passou por todos os consoles, fica fascinado pela história dos jogos, lê todos os blogs, comenta em fóruns, quer participar da criação de algum. Para com isso, tome tento. Desenvolvimento de jogos está mais ligado a debugar uma caralhada de linhas de código e receber feedback de usuario chato do que com jogar os jogos de fato.

2 – Você não será o próximo Zuckerberg

Analisando friamente, eu tenho tudo o que o Zuckerberg teve na sua caminhada para o sucesso. Ambos somos criativos, proativos, temos uma boa rede de contatos,  ele teve apenas um diferencial: estudava em Harvard.

Quando estiver lendo a história de um empreendedor de sucesso, lembre-se de levar o contexto em consideração sempre: Bill Gates estava em Harvard, Larry Page e Sergei Bin, em Stanford, Steve Jobs em Reeds, você vai fazer UFSCar, vai fazer USP, vai fazer UFBA.

Não que os casos de empreendedores de sucesso sejam inexistentes, eles existem, mas tenha em mente que você está em outro contexto, outro país, outra realidade, saiba ajustar seu patamar, pelo amor de Oxalá.

3 – Não é porque você gosta de mexer em computadores/jogar que estudar computação vai ser legal

Isso é um ponto importantíssimo: existe um abismo de diferença entre “mexer no computador” e “estudar computação”. A essa altura do campeonato, imagino que todos aqui sejam o “cara que conserta computador”, seja profissionalmente ou de forma amadora (a.k.a. : Conserta o PC da família de graça e é sempre o culpado pela lentidão, apesar de não saber como aquelas toolbars foram parar lá), sendo assim, pra muito de vocês pode parecer natural se matricular num curso de computação no ensino superior.

Ledo engano.

Estudar computação pouco tem a ver com as configurações do seu PC monstro, ou em quantos antivírus ou firewalls você instala no computador da sua vó, ou com sua habilidade no CorelDraw. No curso de computação você vai aprender a vasta gama de conhecimentos necessários pra fazer antivírus, firewalls e o CorelDraw (e acreditem, é infinitamente mais chato do que mexer nos PC da vida).

4 – Você não vai aprender a ser hacker

Se eu tivesse cobrado 1 real pra cada pedido de hackear facebook que eu já recebi, eu estaria uns 8 reais mais rico. Mas as pessoas continuam, dia após dia, pedindo pra alguém que estuda computação pra hackear facebook.

Aqui vão dois fatos curiosos:

  1. Hackear facebooks alheios não é tão difícil porque as pessoas são burras
  2. Hackear facebook envolve uma série de conhecimentos não-formais que seriam impossíveis de serem ensinados num curso superior

Ou seja, aprendemos algumas coisas que são úteis para hackear as coisas, mas não aprendemos a hackear em si.

5 – Computação não é uma escolha sua

Não adianta ninguém dizer o contrário, não adianta dizer que você quer fazer. Você só vai perseverar na computação se ela assim desejar. Você pode ser o cara mais entusiasmado com computadores do universo, dedicar horas e horas do seu dia à eles, se a computação não te escolher, meu jovem, game over, kernel panic.

Melhor escolher algo pra ser feliz mesmo.

Chegando ao fim deste texto, se mesmo assim você ainda quer fazer computação, meus parabéns, bem vindo ao clube, é a melhor área pra se trabalhar em todo o universo!

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